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dia azedo,
cheio de sentimentos revirados.
dia agudo,
repleto de notícias inesperadas
que me roubaram a espontaneidade.
dia amarrado,
rodeado de conversas desconfortáveis
e palavras polidas que eu preferia não dizer.
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"Usted que tiene locura poca es imbecilidad"
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Meu jardim imaginário é povoado por criaturas bem curiosas, que vez por outra surgem inusitadamente entre rosas, lírios e girassóis.
Na manhã de hoje encontrei, trancada em meu baú de preciosidades, a carta de um desses habitantes do meu jardim. Era uma carta amarela, cheia de um impulso alegre, e falava da minha "presença floral".
Era linda e me coloriu o dia.
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alguém me roubou um dia da semana!
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engraçado...
e eu, que tantas vezes te arrasto a perambular pelo meu universo,
acabo de me dar conta de quão pouco sei do seu mundo!
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'Would you tell me, please, which way I ought to go from here?' 'That depends a good deal on where you want to get to', said the Cat. 'I don´t much care where -' said Alice. 'Then it doesn´t matter which way you go,' said the Cat. '- so long as I get somewhere,' Alice added as an explanation. 'Oh, you´re sure to do that,' said the Cat, 'if you only walk long enough'.
Alice´s Adventures in Wonderland
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mais do que nunca procuro alguém
sem muita gravidade
é que existir às vezes pesa
até pra mim, que tenho essa mania de leveza.
(o que eu busco
talvez seja leve demais
e por isso, quem sabe,
continue escapando-me
às mãos com tanta facilidade...)
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Talvez o mundo
Não seja pequeno
Nem seja a vida
Um fato consumado
Quero inventar
O meu próprio pecado
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Chico Buarque)
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ele passeia desconfortável pela minha frente, mãos dadas com outro alguém que nunca vi. como de costume, visto a minha fantasia de mulher bem resolvida e cumprimento os dois com um sorriso quase sincero. ele fica ainda mais sem jeito e vai embora.
revisito uma sensação ruim e, apesar de doer, me sinto viva.
(mais uma vez ele quase me fez chorar. e fazia tantos anos que eu não chorava por sua causa, que até me senti no direito. mas a mágoa não era tão grande, e eu fiquei com aquilo entalado na garganta, sem conseguir engolir de vez nem respirar direito)
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Descobri uma ferramenta que rastreia plágios na Internet. Fui lá testar e me senti mais uma vez invadida, ao ponto de novamente repensar se essa história de blog vale a pena.
Entre as dezenas de posts plagiados...
Aos desavisados.: plágio, além de desrespeito, é CRIME.
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Quando os velhos machucados enfim cicatrizam eu atravesso os dias, desorientada,
quase desejando que a vida me atropele novamente.
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... prefiro acreditar que mesmo a falta de propósitos tem sua dose de dignidade.
(eu, meus botões e sua angústia)
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não, não precisa tanto.
a minha felicidade é mesmo rasteira, toda feita de coisas leves e coloridas...
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É, admito: tá tudo bem confuso mesmo. E eu detesto sentir isso toda vez que você me olha com ar de “E aí, que vai ser da vida?”. Mas o que detesto ainda mais é notar que você tem toda razão em me perguntar isso, e o faz até com menos freqüência do que gostaria (desconfio que você saiba o quanto essa pergunta me angustia).
Lembra aquela frase que pesquei no texto da autora que disseca a gente? Dizia assim: “Eu preciso ser adulta sem achar que tô matando o principal. Entende?” Pois é um pouco disso, mesmo: “Entende?” Entende como é difícil para mim preterir todas as outras direções e escolher um só caminho? Entende como tudo o que poderia ser vai sumindo no rastro dos passos que dou para me tornar um algo qualquer?
E mesmo quando tudo que eu desejo é permanecer imóvel contemplando a infinidade de coisas que ainda podem vir a ser, o tempo se encarrega de puxar o meu tapete e jogar fora, de tempos em tempos, um punhado de sonhos que considera já vencidos.
E eu sou toda feita de sonhos, mãe. Entende o meu medo?
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Como previsto, ele não me ligou. E foi triste.
Triste de uma forma inusitada: é que ele não ligou e eu nem liguei.
E por mais esquisito que isso pareça eu preferia, sim, me incomodar de verdade com o fato dele não ter me ligado, mesmo que isso me fizesse sofrer um pouquinho. De uma forma torta, talvez isto provasse que em algum momento ele significou algo.
(é que enganar a mim mesma me faz ainda mais mal que me sentir enganada por outro - e é isso que sinto quando me convenço a viver histórias sem sentido).
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Eu preciso ser adulta sem achar que tô matando o principal. Entende?
(Tati Bernardi)
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[ revisitando sensações ]
Deu vontade (não por acaso) de falar de algo que me incomoda; uma coisa com a qual nunca soube lidar, nem sei enfrentar. É bobo. É infantil. É imaturo... Mas é sincero. A verdade é que me sinto perdida frente àquelas "pessoas que a gente conhecia tanto e que de repente não conhecemos mais". Uma sensação de impotência contra o tempo, contra o rumo que a minha vida vez por outra teima em seguir.
Quando me deparo com uma situação assim e dou de cara com algo ou alguém que já foi tanto e sem motivos, de um momento para outro, simplesmente deixou de ser, sinto que tudo ao meu redor é frágil demais. E os amigos, os lugares, as vontades e sentimentos... tudo isso pode, num piscar de olhos, perder essa importância toda que tem hoje para mim (ou que tenho para eles).
Me dá vontade de agarrar pelo braço cada amigo, cada irmão, cada momento que amo e arranjar uma forma de acorrentar tudo isso à minha vida, pra que nada consiga escapar ou se perder nesse caminho que tenho pela frente. Medo, medo, medo. No fundo (num lugar que nem eu tenho coragem de alcançar) talvez este medo explique uma porção de questões que pairam sobre a maioria das minhas (in)decisões.
Algumas vezes reticências providenciais camuflam o pavor que sinto de histórias que acabam. Outras vezes, nem isso resolve o problema.
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Sou feita de esperanças.
Desde o dia em que nasci tenho mania de acreditar. E assim vivo, até hoje, na constante expectativa de que num porvir qualquer ainda verei nascer o dia que vai justificar tudo.
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A menina sorria, apesar de qualquer coisa.
Sorria sorrateira, com a propriedade de criança que sabe algo que os outros jamais saberão. A sabedoria da menina se traduzia em sorrisos e por isto desconfio que ela conhecia o mais importante de todos os segredos.
Talvez por isto eu carregue a impressão de que com a menina se esconde o segredo do mundo. E ao mundo, por esta sabedoria, a pequena retribui simplesmente em sorrisos.
(justo pagamento...)
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Hoje eu senti que lhe devo algumas desculpas.
Desculpa por tanto silêncio, tanto receio, tantos pés atrás. Desculpa essa minha insistência em criar muros para me proteger de você, como se a sua presença fosse sempre algum perigo. Desculpa o meu medo, a minha insegurança e essa falta de tato para lidar com novidades. Desculpa principalmente pelas portas que eu ainda insisto em trancar, mesmo sabendo o quanto a sua visita me é bem vinda.
(eu e essa mania sem nexo de sabotar possibilidades...)
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