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abrindo caminho entre tantos pensamentos densos,
peço passagem para acariciar a face da vida.
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.diagnóstico.
em mim
essas crônicas de vinícius
são crônicas
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a minha angústia caminha na corda bamba, entre o clichê e o blasé.
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"E eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida. Que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. Constrange-me existir esse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita, sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. Nunca precisei aborrecer ninguém antes, então atuo por instinto, cansando-me facilmente. E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia. Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude."
Fernanda Young
(de uma dor que não é minha,
mas que sinto poder tocar)
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Um dia acordei e não alcancei o chão.
Coração descompassado, ritmo acelerado e aquele mundinho que eu acreditava conhecer como a palma da minha mão, completamente distorcido.
Aconteceu no meio de uma noite comum. Ao abrir os olhos, como num devaneio daqueles em que a gente se pergunta se está acordado ou ainda a dormir.
A luz estava apagada e me faltava ar. Queria respirar fundo, gritar por ajuda, mas antes precisava entender porque o mundo virara do avesso. E continuava a girar.
Foi simples assim: numa noite comum, a vida passou-me uma rasteira nos sentidos e provou que eu também preciso de um ponto de equilíbrio.
(sobre uma tal labirintite...)
"Todas as noites, quando fecho meus olhos para dormir, Deus acende seus belos refletores de vertigem sobre mim. Então, meu cérebro se acomoda no travesseirinho de flores, e vejo no verso das pálpebras a última imagem do glorioso dia de aventuras que acabei de viver.
Fico pensando e acabo sonhando.
Mas sonho tão alto que o próprio barulho me acorda."
(Edson Marques)
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Quando estar sozinho
Ficar sozinho
E só
E só
Ficar sozinho
Quando estar sozinho
(Arnaldo Antunes)
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dia
cheio de sentimentos revirados.
dia
repleto de notícias inesperadas
que me roubaram a espontaneidade.
dia
rodeado de conversas desconfortáveis
e palavras polidas que eu preferia não dizer.
(que a noite chegue logo
com seu silêncio cicatrizante)
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"Usted que tiene locura poca es imbecilidad"
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Meu jardim imaginário é povoado por criaturas bem curiosas, que vez por outra surgem inusitadamente entre rosas, lírios e girassóis.
Na manhã de hoje encontrei, trancada em meu baú de preciosidades, a carta de um desses habitantes do meu jardim. Era uma carta amarela, cheia de um impulso alegre, e falava da minha "presença floral".
Era linda e me coloriu o dia.
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alguém me roubou um dia da semana!
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engraçado...
e eu, que tantas vezes te arrasto a perambular pelo meu universo,
acabo de me dar conta de quão pouco sei do seu mundo!
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'Would you tell me, please, which way I ought to go from here?' 'That depends a good deal on where you want to get to', said the Cat. 'I don´t much care where -' said Alice. 'Then it doesn´t matter which way you go,' said the Cat. '- so long as I get somewhere,' Alice added as an explanation. 'Oh, you´re sure to do that,' said the Cat, 'if you only walk long enough'.
Alice´s Adventures in Wonderland
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mais do que nunca procuro alguém
sem muita gravidade
é que existir às vezes pesa
até pra mim, que tenho essa mania de leveza.
(o que eu busco
talvez seja leve demais
e por isso, quem sabe,
continue escapando-me
às mãos com tanta facilidade...)
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Talvez o mundo
Não seja pequeno
Nem seja a vida
Um fato consumado
Quero inventar
O meu próprio pecado
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Chico Buarque)
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ele passeia desconfortável pela minha frente, mãos dadas com outro alguém que nunca vi. como de costume, visto a minha fantasia de mulher bem resolvida e cumprimento os dois com um sorriso quase sincero. ele fica ainda mais sem jeito e vai embora.
revisito uma sensação ruim e, apesar de doer, me sinto viva.
(mais uma vez ele quase me fez chorar. e fazia tantos anos que eu não chorava por sua causa, que até me senti no direito. mas a mágoa não era tão grande, e eu fiquei com aquilo entalado na garganta, sem conseguir engolir de vez nem respirar direito)
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Descobri uma ferramenta que rastreia plágios na Internet. Fui lá testar e me senti mais uma vez invadida, ao ponto de novamente repensar se essa história de blog vale a pena.
Entre as dezenas de posts plagiados...
Aos desavisados.: plágio, além de desrespeito, é CRIME.
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Quando os velhos machucados enfim cicatrizam eu atravesso os dias, desorientada,
quase desejando que a vida me atropele novamente.
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... prefiro acreditar que mesmo a falta de propósitos tem sua dose de dignidade.
(eu, meus botões e sua angústia)
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não, não precisa tanto.
a minha felicidade é mesmo rasteira, toda feita de coisas leves e coloridas...
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É, admito: tá tudo bem confuso mesmo. E eu detesto sentir isso toda vez que você me olha com ar de “E aí, que vai ser da vida?”. Mas o que detesto ainda mais é notar que você tem toda razão em me perguntar isso, e o faz até com menos freqüência do que gostaria (desconfio que você saiba o quanto essa pergunta me angustia).
Lembra aquela frase que pesquei no texto da autora que disseca a gente? Dizia assim: “Eu preciso ser adulta sem achar que tô matando o principal. Entende?” Pois é um pouco disso, mesmo: “Entende?” Entende como é difícil para mim preterir todas as outras direções e escolher um só caminho? Entende como tudo o que poderia ser vai sumindo no rastro dos passos que dou para me tornar um algo qualquer?
E mesmo quando tudo que eu desejo é permanecer imóvel contemplando a infinidade de coisas que ainda podem vir a ser, o tempo se encarrega de puxar o meu tapete e jogar fora, de tempos em tempos, um punhado de sonhos que considera já vencidos.
E eu sou toda feita de sonhos, mãe. Entende o meu medo?
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