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Vitrine de mim


Hoje eu vou dormir lembrando de todas as pequenas (re)descobertas que fiz em São Paulo (o humor começou a mudar... :-)
É TÃO BOM notar a imensidão do mundo quando se está apoiada o bastante para não sentir medo ...
É TÃO BOM encontrar pessoas, situações, assuntos e lugares novos, tão imprevisíveis e surpreendentes.

Nunca vou conseguir ter a dimensão exata da importância que essa viagem teve pra mim naquele momento.
Me dei um espaço necessário não pra pensar no que me estava acontecendo, mas exatamente o oposto - um espaço pra que, no meio daquela loucura toda que se passava pela minha cabeça, eu pudesse me refugiar e não pensar em nada mais.

Ou ainda, conhecer coisas completamente diferentes para preencherem a minha cabeça.
(Tenho que deixar um merecido agradecimento a Nara ... reconheço hoje, amiga, aquilo que vc me disse quando "planejou minha viagem" sem que eu sequer soubesse de nada ... que um dia eu iria te agradecer por isso: VALEU)

Hoje alguém me lembrou como é bom ser surpreendida.

Simples assim, apenas por ter lembrado de mim depois de muito tempo, sem nenhum motivo ou pretensão maiores.

É bem gostoso sentir que pode acontecer de, num dia qualquer, por motivos improváveis, alguém que você mal acredital ser possível reencontrar, lembre com carinho de você e queira te dizer isto.

(tenho que admitir que toda essa "sessão nostalgia" de São Paulo teve como causa este e-mail que recebi ... sendo assim, fica um beijo grande e um agradecimento maior ainda a essa pessoa: beijo, Alê. )

Sou uma pessoa comum.

Cometo erros bobos, sérios, algumas vezes erros gravíssimos. Assim aconteceu.
E infelizmente, apesar das lições que aprendi e da dor que senti, outros (pequenos, médios, quem sabe imensos) erros podem vir a acontecer novamente.
Não quanto àquelas coisas e lições que já me marcaram e feriram o bastante para sentir que não valem a pena.

Além dos erros, tenho também, como pessoa comum que sou, uma história. Uma história que normalmente deveria pertencer só a mim, mas que insisto em narrar, nesta que deveria ser uma vitrine de mim para mim mesma. E muitas dessas vezes, a minha intenção era apenas realmente conhecer melhor o que penso, o que sinto e como reajo. Meus grandes erros hoje estão nas mãos da pessoa que mais se magôou com eles. E essa pessoa se mostrou, até hoje, mais forte que eu. Tentou lidar com o que tinha em mãos da forma mais nobre que alguém poderia. Tentou moldar. Tentou passar por cima.

Mas existe um porém que é grave demais até para os de mais nobre intenções: não se pode apagar o passado. Perdoar não é o mesmo que esquecer. Perdoar é passar por cima, assumir, colocar um pouco (as vezes bastante) do orgulho de lado e seguir adaptando o que vem pela frente. Perdoar é seguir adiante assumindo um passado que não é mais limpo, nem nunca será. Esquecer é fingir. Fingir que nada aconteceu, fingir que nunca existiram erros, fingir que o orgulho está intacto e tentar seguir fingindo que o passado simplesmente nunca existiu. Eu não acredito nesta segunda opção.

Tive um passado que em alguns momentos pontuais realmente ficam a mercê de um perdão. Mas tenho também um outro passado, que não precisa ser dito nem merece ser condenado. Tenho aprendido em minhas poucas e curtas histórias, que algumas coisas são vãs e outras eternas. Algumas pessoas deixam em nós apenas aquilo em que conseguiram nos transformar... (porque todo mundo que passa por nós acrescenta, retira ou molda algum aspecto de nossa vida).

Outras pessoas não passam nunca. Elas continuam rondando, mesmo quando não estão mais presentes, seja sorrindo, brigando, dizendo "perdão" ou um "adeus" cheio de rancor... Essas pessoas não passam. Elas retornam a cada instante, nos mudam, remoldam e nos reciclam. E são elas que nos dão a certeza de que vale a pena baixar a guarda, aprender com o passado e lutar por um futuro que se quer construir.

Sou uma pessoa que sonha, acima de tudo. E isto na maioria das vezes é bem maior do que eu. Vez por outra me invade esta sensação de "querer é poder" e então, de repente, sou feliz. São pequenos momentos constantes em que tenho idéias, planos, por vezes até chances. Não tenho os pés no chão. Meus pés são você. O que me sustenta na realidade, me guarda neste mundo das coisas possíveis não incríveis é a sua presença. E só ela. Se isso é bom, quem sabe dizer? O amor tem sempre duas faces ...

(não posso te pedir perdão - apesar de saber o quão incômodo é - por ter vivido alguns momentos com uma outra pessoa, que me tenham significado alguma coisa. Se amei mais alguém? Não. Se já fiz planos com alguma outra pessoa? Também não. Posso, devo e faço: peço perdão por qualquer dor que já te proporcionei. Por cada sensação, decepção, cada ferida ou gota de raiva. Peço desculpas, perdão e peço abrigo qualquer que seja a sua decisão (mesmo que isto leve o tempo que for preciso).

Te amo como simplesmente nunca amei. Porque nunca sequer, antes de você existir em minha vida, havia descoberto a existência deste tipo de amor.


Nenhuma grande pretenção se esconde neste meu exercício que a partir de hoje faço regular - ... será ???
Começo a encarar essa iniciativa que subitamente tive como uma "vitrine de mim" para mim mesma.
Começo a pensar se não tenho uma necessidade meio doentia de contar para mim o que sou, o que penso e o que sinto, transformar minha existência em palavras e adjetivar minha vida para, aí sim, acreditar "que sou".

Tudo se mostra embaralhado, até que eu ponha as peças na mesa, em qualquer disposição, para a partir de então me sentir segura de que estas peças realmente existem e começar a montar um quebra cabeça qualquer.

Acabo de produzir um exemplo do que acabei de dizer : precisei escrever isto acima, para me convencer de que há em mim uma real necessidade de vir aqui escrever sobre mim (talvez no fundo todos os meus argumentos despenquem e eu descubra que nada disto passa de um simples exercício narcisista).


Falar do que me importa : este parecia até pouco tempo ser o meu grande desafio . Hoje encaro coisas aparentemente muito maiores. O mundo de repente parece ter engolido cada segundo da minha liberdade, e tenho na maior parte do tempo me sentido uma mera coadjuvante desta história louca a que chamo "minha vida". Tenho dado todos os espaços disponíveis de mim para a "razoabilidade" ... tenho feito do meu sono uma necessária "recarga" ... tenho me ocupado de responsabilidades que nada me dizem.
E apesar dos monstros todos que começo a construir neste "ensaio para a grande vida", ainda sinto que o que mais me amedronta é encarar com um lápis em punho o desafio do papel em branco.


Quero ir além de mim. Onde minha razão não exista de fato. Quero ser tudo aquilo que jamais sequer assumi querer ser. Correr riscos... Correr. Largar o tripé que eu teimo em construir.

... este está sendo um ano diferente...

... e apesar de não saber porque nem como, essa é a minha maior certeza ...

" Tenho sonhado mais do que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades que Cristo
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.

(...)

Serei sempre só o que tinha qualidades
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
e cantou a cantiga do infinito numa roda de capoeira, e ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada."

Fernando Pessoa



"Tenho por princípio
nunca fechar portas
Mas... como mantê-las abertas
o tempo todo
se em certos dias
o vento quer
derrubar tudo...?"


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Carta para você (ou para mim?)


Sou uma pessoa comum. Cometo erros bobos, erros sérios e algumas vezes erros gravíssimos. Assim aconteceu. E infelizmente, apesar das lições que aprendi e da dor que senti, outros (pequenos, médios, e quem sabe imensos) erros podem vir a acontecer novamente. Não quanto àquelas coisas e lições que já me marcaram, e feriram o bastante para sentir que não valem a pena.
Além dos erros, tenho também, como pessoa comum que sou e serei para todo o sempre, uma história. Uma história que normalmente deveria pertencer só a mim, mas que insisto em narrar, nesta que deveria ser uma vitrine de mim para mim mesma. E muitas dessas vezes, a minha intenção era apenas realmente conhecer melhor o que penso, o que sinto e como reajo. Meus grandes erros hoje estão nas mãos da pessoa que mais se magôou com eles. E essa pessoa se mostrou, até hoje, mais forte que eu. Tentou lidar com o qe tinha em mãos da forma mais nobre que alguém poderia. Tentou moldar. Tentou passar por cima. Mas existe um porém que é grave demais até para os de mais nobre intenções: não se pode apagar o passado. Perdoar não é o mesmo que esquecer. Perdoar é passar por cima, assumir, colocar um pouco (as vezes bastante) do orgulho de lado e seguir adaptando o que vem pela frente. Perdoar é seguir adiante assumindo um passado que não é mais limpo, nem nunca será. Esquecer, é fingir. Fingir que nada aconteceu, fingir que nunca existiram erros, fingir que o orgulho está intacto e tentar seguir fingindo que o passado simplesmente nunca existiu. Eu não acredito nesta segunda opção. Tive um passado que em alguns momentos pontuais realmente ficam a mercê de um perdão. Mas tenho também um outro passado, que ao mesmo tempo em que não precisa ser dito, não tem porque ser condenado. Tenho aprendido em minhas poucas e curtas histórias, que algumas coisas são vãs, e outras eternas. Algumas pessoas passam e deixam em nós apenas aquilo em que conseguiram nos transformar... (porque todo mundo que passa por nós acrescenta, retira ou molda algum aspecto de nossa vida). Outras pessoas não passam nunca. Elas continuam rondando, mesmo quando não estão mais presentes, seja sorrindo, seja brigando, seja dizendo "perdão" ou um "adeus" cheio de rancor... essas pessoas não passam. Elas retornam a cada instante, e nos mudam, e nos remoldam, e nos reciclam. E são elas que nos dão a certeza de que vale a pena baixar a guarda, aprender com o passado e lutar por um futuro que se quer construir.

Sou uma pessoa que sonha, acima de tudo. E isto na maioria das vezes é bem maior do que eu. Vez por outra me invade esta sensação de "querer é poder", e então, de repente, sou feliz. São pequenos constantes momentos em que tenho idéias, planos, as vezes chances. Não tenho os pés no chão. Meus pés são você. O que me sustenta na realidade, me guarda neste mundo das coisas possiveis não incríveis é a sua presença. E só ela. Se isso é bom? Quem sabe dizer? O amor tem sempre duas faces ...

(não posso te pedir perdão (apesar de saber o quão incômodo é) por ter vivido alguns momentos com uma outra pessoa, que me tenham significado alguma coisa. Se amei mais alguém? Não. Se já fiz planos com alguma outra pessoa? Também não. Posso, e devo, e faço: peço perdão por tudo o qe de ruim já te proporcionei. Por cada sensação, cada decepção, cada ferida, cada pingo de raiva. Peço desculpas, peço perdão, e peço abrigo em seu coração, qualquer que seja a sua decisão (mesmo que isto leve o tempo que for preciso). Te amo como simplesmente nunca amei. Porque nunca sequer, antes de você existir em minha vida, havia descoberto a existência deste tipo de amor.

Hoje vi você novamente.
Nunca imaginei que pudesse caber tanto silêncio em tão poucas palavras...
Me impressiona a vida que deixamos atrás... e as histórias que possivelmente a gente nunca mais vai lembrar. Será que somos capazes de passar por todos estes "fins" sem perder um pouco de nós mesmos?
... ... acho que não ... ...
muito do que fui depende da sua presença pra existir no hoje. A memória falha. Nestas situações, então ... ... parece que (ou a gente age de modo a parecer que...) a gente tem um botãozinho pronto pra apagar a importância de certas pessoas em nossas vidas. Me parece cruel... me parece triste... soa até impossível em certos momentos. (mas talvez eu consiga entender esta como sendo a única forma de superar sua ausência).

O amor ... acaba ? Já bem dizia Paulo Mendes Campos : " ... em todos os lugares, o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."

(E se é assim ... que assim seja - AMÉM !!!!!! :-)

Acho estranho ir dormir com essa tristeza toda. Não sei se fecho logo os olhos pra arriscar acordar num dia melhor, ou se me mantenho alerta para que eu não termine mais um dia com este peso e estas dúvidas (ou quem sabe estas certezas incômodas) pendendo no meu "esquema de coisas a fazer com urgência".
As coisas são teoricamente tão simples ... ... e talvez na prática também o sejam... mas me inundo de covardia, e de urgências que na verdade em nada me importam... e adio as minhas grandes decisões.
Me assusta perceber que entre um sim e um não posso definir minha vida. As escolhas a fazer têm sempre um longo alcance... alcance esse que até hoje eu não soube enxergar.
Que futuro é esse que não me aparece aos olhos? Que falta de perspectivas são estas que me fazem ter vontade de largar tudo pro alto e ser completa por apenas alguns segundos???
Tenho construído minhas histórias sem qualquer noção de tempo. Não sei o que pretendo que dure em minha vida. As coisas estão passando muito rápido, e eu não tenho desprendido o menor esforço pra fixá-las em lugar algum...


É triste se achar incapaz de construir um futuro. E é exatamente desta forma que tenho me sentido ultimamente. Completamente sem tempo. Mil ocupações, mas nenhum plano concreto. Nenhuma vontade incontrolável. Este é o problema: vontades existem; sonhos, de monte! Desejos, planos, delírios... mas tudo tem se mostrado melancolicamente controlável, enquadrado, limitado.
Nenhum grito, nenhum desespero Maior, nenhum transbordo...
Tenho me deixado guiar pelos dias sem tomar a frente do meu próprio destino. Meu caminho, além de imprevisível, tem se mostrado a cada dia menos reconhecível.

Ainda estou completamente perdida por aqui. Não sei como ou o que fazer ... só me toma uma insustentável vontade de falar de mim ... talvez para mim mesma, e assim sendo mal não consigo enxergar. Que seja este um mero exercício Narcisista, conquanto se faz de importância VITAL.

Novos começos sempre me entusiasmam...
Mas ironicamente, neste exato momento não faço a mínima idéia de por onde devo iniciar este novo caminho.
Cansei de adiar planos e esconder as idéias pra que num dia qualquer (que provavelmente nunca chegaria...) eu pudesse desempacotar tudo o que gostaria de ter sido e viver de remorsos.
Tudo bem ... não estou dando nenhuma reviravolta na minha vida ainda... ... ... mas estou enfim abrindo um caminho pra falar disto tudo. O que pra mim já é um grande passo.








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