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Vitrine de mim



Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodovar, cores de Frida Kalo, cores ....
A passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus


Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone
E vendo doer a fome nos meninos que tem fome
Pela janela do quarto, pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela, quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados de um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Pela janela do quarto, pela janela do carro...


(eu, meu mundo e minha postura quanto a quase tudo o que me tem acontecido)


Me pergunto em que curvas ficaram os cacos daquilo que fui deixando de ser. Onde me levariam as outras tantas possibilidades, de tudo aquilo que por mero acaso deixei de escolher?
A vida da gente vai mudando a uma velocidade que sequer nos deixa tempo pra gravar na memória onde ou em que momento estamos deixando de ser o que éramos. Por exemplo, por mais que tente, não consigo me lembrar onde foi que deixei os meus papéis de carta, ou por onde andariam a coleção de latinhas do meu irmão, o meu vestidinho amarelo, meus primeiros sapatos de salto ou meus patins verde-cana. A partir de quando criei esse pavor por ervilhas, parei de assistir desenho animado ou ganhei a minha primeira chave de casa?
A capacidade de transformação que tem a nossa vida é muito mais rápida que o nosso poder de notá-las. Existe dias exatos a partir dos quais determinadas pessoas passaram a me ser imprescindíveis ? Ou outras tantas deixaram de o ser?
Isso assusta um pouco ... essa incerteza constante quanto ao que se é ou se será em um amanhã qualquer.

Tenho a impressão de estar a muito tentando evitar o fato imutável de que as coisas não duram pra sempre. Nem precisam de grandes motivos pra serem deixadas pra trás. Coisas que, em alguns casos, por tanto tempo nos pareceram essencias...(e talvez já o tenham sido).
É difícil aceitar que como nós (e conosco), as necessidades também mudam. E que assim como há coisas que imperceptivelmente ficam pelo caminho, de outras tantas temos que arranjar uma forma indolor de nos desfazermos.

(gripada, cansada e com muitas idéias confusas numa cabeça também nada organizada....)

Atenção
Essa vida contém cenas explícitas de tédio
Nos intervalos da emoção

Atenção
Quem não gostar que conte outra,
encontre, corra atrás,
enfrente, tente, invente
sua própria versão

Aqui não tem
segunda sessão.

Eu e essa mania de deixar as coisas acontecerem, sempre. Eu e essa falta de atitude, de coragem, de... nem sei bem o quê ....
Uma espécie de acordo em silêncio .. uma tranquilidade paralizante, uma certeza inconveniente de que em algum momento as coisas se assentam, e começam a dar certo por si sós. Me falta a pressa dos que querem. Preciso da angústia dos que tentam, e até mesmo daquela desilusão dos que, depois de tudo, não conseguiram. Quero sentir vitórias minhas.
Nos últimos dias tenho estado simplesmente cansada. Um cansaço estranho, de quem começa a viver um pedaço de vida que não lhe cabe muito bem, apenas pelo fato de não ter sido fruto de uma busca anterior. As coisas comigo parecem sempre acontecer por acaso. E por acaso eu fico, ou não. Meus dias raramente refletem verdadeiras decisões. Nas pequenas coisas consigo enxergar isso: na escolha do que almoçar, do que fazer nos finais de semana, ou até mesmo do que escrever aqui. Uma coisa parece ir puxando a outra, e uma situação exigindo uma determinada postura, que leva a outra situação que exige uma outra determinada postura, que... ... ... que não me deixa espaço pra parar neste ciclo, respirar fundo, e escolher conscientemente o caminho que desejo seguir.

As vezes me sinto meio "por fora" das grandes decisões que a minha própria vida parece tomar para si.

Minha pergunta de hoje pra essa a quem chamo mim mesma é simples, e afiada. Pode trazer esperanças descompassadas, um punhado de motivos pra repensar meus caminhos ou uma vontade covarde de encontrar algum mártir no qual possa depositar eventuais culpas. Minha pergunta é discreta e irritante, como a fisgada de um beliscão de mãe por debaixo da mesa de jantar. É incômoda, desafiadora, petulante. É um pontapé no traseiro, uma sacudida de ombros, um grito bem alto no pé do ouvido quando se está prestes a cair no sono. Minha pergunta não é sequer bem vinda. Não foi pedida, talvez não tenha resposta. Mas atrevida que é, a minha pergunta continua ali, rondando entre essas duas que se encaram através do espelho na espera de que um dia qualquer não precisem mais de resposta alguma. Até hoje esse dia não veio. E a pergunta insiste. "Afinal...o que é que te impede?"

" As palavras é que me impedem de dizer a verdade. Simplesmente não há palavras.
O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo.

Cada vez mais eu escrevo com
menos palavras.

Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever.
Eu tenho uma falta de assunto essencial."

Quando éramos bem pequenos, o meu irmão e eu amávamos passar as férias na fazenda. Variávamos sempre nossas férias entre ir pra a fazenda, ou pra Prado. E esta era uma época na qual invariavelmente, preferíamos ir pra a fazenda.

Bom ... a nossa fazenda é bem longe. Ela fica no Norte de Minas, perto de cidadezinhas das quais certamente ninguém aqui jamais ouviu falar, e onde o meu pai morou quando criança. Bom... voltemos à fazenda. Na verdade, tudo o que há pra se contar sobre aquele lugar (o que não é pouco), foi produto de muita criatividade da gente. Lembro a quantidade de brincadeiras que inventávamos nos incontáveis dias sem ter o que fazer. Bichosmais bichos, e mais bichos. Andar a cavalo, colher frutas, ajudar a cuidar da horta, dar milho às galinhas, correr dos gansos, me afeiçoar a cachorrinhos vira-latas sem uma pata, brigar com o meu irmão que teima em aprender a atirar caçando passarinhos, ficar feliz quando chove, ouvir vários "causos" à noite morta de nojo dos bezouros e mosquitos que rondam a casa, morrer de medo de cobra, da onça que ninguém jamais viu, mas que todos juram que existe, tirar leite de vaca, batizar um bezerro, fazer biscoitinhos com o formato do meu nome e trouxinhas de queijo, ver o meu pai muito feliz, e a minha mãe um pouco entediada, encontrar os primos distantes, assistir a galinha chocar seus ovos, quase esmagar cada pintinho achando que estava apenas fazendo um carinho, ver como o nível de água da represa subiu, e como o pasto está verdinho, sentir cheiro de capim molhado, tentar prender vagalume num pote de azeitona... isso tudo era a nossa fazenda... sem telefone, sem televisão... contávamos apenas com um radinho barulhento tocando sempre umas músicas sertanejas, enquanto nossa Anita varria a casa e acompanhava bem alto aquela cantoria.

Numa dessas férias de meio de ano, eu ainda bem pequena, fomos para a fazenda, como de costume. A própria viagem era uma aventura. Saímos de casa bem cedinho e tarde da noite ainda estávamos na estrada. Chovia muito, relampejava, trovejava, e a estrada estava péssima.
A minha mãe e o meu pai estavam tensos nos assentos da frente; o meu irmão atento à estrada pra ver se flagrava algum animal estranho, como um tatu, um coelho, uma cobra... qualquer coisa que o tirasse daquele tédio. Eu, porém, não me sentia como ele.
Estava ajoelhada no banco traseiro, virada de costas olhando pro céu pelo vidro do fundo do carro.
Permaneci assim nem me lembro quanto tempo ao certo, mas sei que demorou bastante .. quando de repente, gritei cheia de certeza :

- "MÃE, EU VI DEUS ! .... VOCÊS ME OUVIRAM? EU VI DEUS ! EU VI DEUS ! "

E por mais que tentassem me explicar que deveria ter sido um relâmpago, ou imaginação minha, eu retrucava firmemente:
- Não, mãe... eu vi Deus de verdade!

O tempo passou, e até hoje volta e meia os meus pais se lembram desta história, e se divertem bastante...

.. mas cá entre nós, tenho que admitir que cada vez que isso acontece, fico me questionando qual terá sido o momento exato em que conseguiram tirar de mim essa certeza ...

(se é que ela ainda não existe, escondidinha nessas minhas memórias, no mesmo lugar onde guardo com toda ternura essa fazenda da minha infância ...)

Todo o peso desse hoje carregado acabou de despencar sobre meus ombros. E o descanso, apesar de merecido, certamente não será tranquilo. Meus últimos dias têm acontecido recheados de urgências. São mil "prioridades", dentre as quais não tenho opção alguma de escolha; todas são imprescindíveis, inadiáveis.
Estou tendo que planejar cada passo dado, cada rota a seguir, cada intervalo entre o alí e o acolá.

Engraçado falar em planos nesse momento. Estou notando como esses planos triviais que a gente periodicamente traça são frágeis... Não estou sequer falando de planos a longo prazo, ou grandes planos de vida; falo de planos bem mais próximos, sob os quais pensamos deter um controle qualquer. Planos para o final de semana, por exemplo. Ou para a noite, para o carnaval, o Reveillon. De um dia para o outro, entre uma nova oportunidade e um incondicional sim, tudo o que já se rpogramou para o amanhã vira "se". Os projetos se cobrem de condições, e não se toca mais nestes assuntos. A dúvida do que será se instalou pra mim por um tempo indeterminado. E sabe o mais esquisito? Eu gosto disso.
( coisas planejadas demais me entediam)

Desisto - O sono venceu.


Como já contei, ontem o meu humor tava péssimo ... e quanto mais eu pensava : pior, impossível, acontecia mais alguma coisinha irritante pra estragar só um pouquinho mais o meu dia.
Acontece que eu não era a única ......... Bi estava ainda mais mal humorada que eu (e olha que eu só acreditei que isso era possível quando encontrei com ela ... ). Fomos então, "chatas-chatas", emburradonas, sem som no carro e nenhuma vontade de conversar, vender os convites do show de Los Hermanos. Tudo rapidinho, convites vendidos........ vontade de não estar daquele jeito que estávamos.... eis que surge uma idéia de gordinha para adoçar o dia : comer na Belle´s !!! E lá fomos nós, na esperança de que, se uma casa de chá não nos animasse um pouco, teríamos que nos contentar em ir pra a casa e dormir até melhorar, pois nada mais seria eficaz ! Mas como todos sabem, temos o espírito de gordinhas alucinadas, então ...... depois da primeira mordida no primeiro salgadinho, já havíamos esquecido completamente qualquer sinal de mau humor e sorríamos descontroladamente, já arriscando piadinhas e brincadeirinhas, além de tirarmos mil fotinhos idiotas... De lá, fomos direto pro Ponte Aérea, esquecer de vez os problemas ! Chegaram Xande, depois Dupuy, Matheus, Clara (minha mega-amiga-companheira-de-banheiro! êêêêêêêê ..... tá vendo ???????? Já ganhou um posto, Cleurys !) e aaai ... como é que se escreve o nome dele, meu Deus ???? ... vou arriscar : Vanovsky (????!) .. ah ... o ex aluno de minha mãe, E DA MINHA TIA !!! (hahahahahahahah .... eu não podia perdoar, né gente ??? pra quem veio de Busca Vida até a Pituba ouvindo isso ... estou pegando até bem leve .. rsss )
Bom ..... posso dizer que dei MUITA risada, com as histórias dos meninos. Aquela velha situação, na qual um conta uma história tosca do outro, que resolve se vingar e contar do outro, que quer revidar também .... aí é o nosso deleite : voam histórias toscas, saem todos os podres de cada um, além dos apelidos das "antigas-ficantes-erro-de-percurso-eu-tava-bêbado-era-fim-de-festa-e-ela-me-agarrou" , né ? rs ... Cada apelido mais bizarro que o outro, e toma-lhe matéria prima pra a minha já fértil imaginação ! Juro que vou fazer uma listinha com a gorda pra postar aqui, com direito a caricaturas de como imagino cada uma delas ...hahah .... meninos, me aguardem ! Todos foram pra a fashion (a banda dos meninos - Ênio, Gui, Juninho - tocou lá ... ) , mas eu e a gorda, de maresia e "ressaqueadas do mau humor vespertino" preferimos voltar pra casa ...

(ah ... dormi na casa da gorda, e acordei bem mais disposta, pra o "dia mais atarefado do ano" ... )

Sábado a tarde e hoje é o mau humor que impera. Sabe aqueles dias em que você só abre a boca pra soltar baixinho um grunhido bem estranho, tipo - humpft! ou então .. Ai, que saco ... ou aqueles palavrõezinhos de quando se está irritado... ("caceta!..." , "droga...", "que merda!" ... )
Pois bem; quando um dia assim chega pra você, parece que todas as outras pessoas ao redor combinaram de acordar com o pé direito. Passam por você felizes, saltitantes, soltando aquelas piadinhas sem nenhuma graça, que em dias normais te divertiriam bastante, mas que naquele momento só pioram o seu grau de irritação. E o tempo; ahhh, o tempo, claro ! O dia fecha por completo. Chove torrencialmente, e a esta altura o show que você pretendia ir provavelmente furou. Não passa absolutamente nada interessante na TV e a pipoca que você resolve fazer está completamente sem sal ( e sem manteiga, pois você está gordinha e é light !) . Pra completar, você lembra que não dormiu bem à noite, acordou cedo pra ir pra a faculdade, e tem trinta e sete coisas pra fazer até segunda feira. O pior de tudo é essa certeza de que não vou sair durante todo o final de semana, nem vou ter força de vontade pra fazer sequer duas das trinta e sete coisas que planejei ...

aiiiiiiiiiiiiii ... que saudade do dia de ontem .............

Hoje foi um dia feliz . Teria que estudar para a minha prova de prática jurídica de amanhã (piaaaada...) mas não quero estragar meu fim de noite. Aliás ... nada conseguiria estragar o dia de hoje. Tem dias que a gente pára e percebe que as coisas vez por outra podem, sim, dar certo. Hoje eu sorri por notar que existe uma chance de eu encontrar meu caminho... uma chance nem tão improvável quanto venho imaginando a algum tempo. Ainda não me aconteceu muito. Só algumas idéias, algumas oportunidades, a sombra de algumas portas camufladas ao meu redor, prontas para serem descobertas, a espera do meu primeiro passo. Não tenho certeza de onde venho pisando, mas por um motivo que desconheço, dessa vez isto não me dá medo. Estou com muita vontade. E talvez fosse isto o que estivesse me faltando a tanto tempo. Eu hoje realmente quis estar onde estava, começar desde já todos aqueles planejamentos rabiscados em um papel rascunho. Notei que a muito tempo não queria tanto uma coisa. Já nem me lembrava exatamente do efeito que isso tem sobre mim...

...o estágio que indiquei pra Léo também deu certo, ele já começa na segunda feira...

( e as alegrias hoje se misturaram de tal forma que eu quase não cabia em mim mesma ...)


Pra alguns a notícia não é novidade. Pros outros eu conto rapidinho, assim como quem não quer mostrar estar dando muita importância pra algo, mas na verdade está dando pulinhos de alegria - é que eu tô trabalhando no site do Festival de Verão Salvador. Por enquanto não fiz muita coisa não... mas já me diverti bastante, e deu tempo de ter um punhado de idéias novas pra um futuro qualquer. Pronto. Contei.

Eu tenho uma mãe que fala e um pai que quase sempre se cala. Um irmão que vive, e uma irmã que sente. Tenho também uma avó com cheirinho de colônia e uma tia bem desbocada. Tenho amigos de todos os jeitos. Tenho um espelho maior do que eu, um travesseiro gostoso e um punhado de segredos. Tenho vários livros de cabeceira, um vestido florido e muitas fotografias. Tenho saudade. Também tenho defeitos. E uma porção de motivos pra rir. Tenho as unhas roídas, uns quilinhos a mais e uma paciência de Jó. Tenho todos os cds de Zeca Baleiro,uma escova de dentes azul e uma tatuagem na nuca. Tenho sempre com quem contar. Tenho paixão por quibe assado e um pavor incontrolável por quase todo inseto com asas. Tenho guardada a primeira rosa que ganhei e todas as cartinhas do primeiro namorado. Tenho vinte e um anos, e uma coleção de revistas que quase nunca leio. Tenho um baú bem grande no qual um dia ainda me escondo...
...e no meio de tudo isso tenho ainda uma multidão de sonhos...

( ........................... as vezes me perco entre eles ................................... )

Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta.
Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós mesmos e a isto considerado vitória nossa de cada dia.
Não temos amado acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não se entende por que não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada.
Temos construído catedrais e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois este seria o começo de uma vida larga, e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme, e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que a nossa indiferença é a angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isto nunca falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isto consideramos a vitória nossa de cada dia.


" Existe um grande, o maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho.
É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma. (...)
Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes, por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.

- Sim. Tudo se esclarecia e ela surgia de dentro de si mesma quase com esplendor. "


Sim, eu amo. E por mais duro que seja admitir isso, palavras sempre parecem limitar essa vastidão que sinto.
Como falar ou escrever do amor que vivo? São tantos pequenos amores, nas pequenas imensuráveis coisas. Nas discretas e gigantescas pessoas.
Admito as vezes temer estar me doando em vão. Mas no minuto seguinte me pergunto: e daí ?
Poderão futuramente de mim dizer o que quiserem, e sabe o que mais? Talvez tenham alguma razão.
Mas cá com meus botões, por mais que eu tente, não consegui ainda arranjar uma maneira de evitar ser assim ; tão eu.

(E então me pergunto... deveria tentar?)

Estou pronta para o chá de cozinha da minha irmã. E a ficha ainda não caiu. A um mês do casamento, eu ainda não acredito que ela vá realmente sair de casa, ter peito pra iniciar uma nova família. Caramba ... uma NOVA FAMÍLIA ... isso soa tão forte, tão sério, tão cheio de responsabilidades, e de consequências.

É bonito. Alegre. Uma vitória.

Queria ter mais coisas a dizer, mas no momento apenas sinto.
E isso já me é o bastante.








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