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Vitrine de mim



Não tem jeito: eu NUNCA acordo satisfeita com o tempo dormido (seja ele qual for!); estudo, estudo e estudo pro Inglês, que depois de dois anos resolvi retomar (neste ponto, o "estudo" três vezes não é exagero: meu inglês é psico, mesmo.... tenho dedicado, por baixo, 4 horas diárias, 4 dias por por semana, a refazer os três últimos níveis do meu psico-english-course - but it´s for my own sake!... :-); tá... continuando... estou de Dieta. É, Dieta com D bem maiúscúlo, e em negrito, porque a minha endocrinologista resolveu me torturar, e durante os últimos 10 dias tenho ingerido ínfimas 800 calorias diariamente. Pra completar, na semana passada foi aniversário da minha mãe, e teve "aquele" bolo de chocolate. Como se não bastasse, Lú (minha prima que faz doces melhor do que qualquer vó!) deu OUTRA torta, ainda mais suculenta e achocolatada, e recheada, de presente apara a minha mão. Vocês estão me vendo na situação? Conseguem imaginar? Agora acrescentem a esta cena, o aniversário (hoje) do meu pai, e toma-lhe torta! Todos se lambuzando com coberturas de brigadeiro, e eu com meu modesto pratinho-mega-controlado-colherada-por-colherada de arroz, frango grelhado e salaaaaaada, bastante salada pra enganar o apetite.
Deixa eu ver o que mais... amigas, nem sei onde andam. Fora Nara, Vika, Mari e Bi - todas vez por outra...que ainda me ligam (e vice versa), tudo o que tenho é saudade. E reclamações. A faculdade (de Direito) me entedia mais e mais a cada minuto, e a de jornalismo me faz uma certa falta (que só não é maior pelo meu comodismo em não ter mais cinco matérias para estudar). Hoje, não fui para nenhuma das minhas aulas (exceto o inglês, lógico...). Estou soluçando irritada, a mais ou menos meia hora, e não consigo mais terminar de ler nenhum dos livros que começo a ler. Desta vez, o meu CD que sumiu foi o dos Engenheiros do Hawaii, e a primeira edição da minha nova assinatura da Tpm parece não chegar jamais! ....... arg, que mudança brusca de humor, de um dia para o outro.....

("great news": minha mãe e meu pai meio que me deram carta branca. Se Nara confirmar, e eu conseguir providenciar uns pequenos detalhes, a viagem está realmente de pé. Barcelona em Fevereiro de 2005 !
(xiii ... nem isso adiantou.... tá, eu to feliz, mas esse mau humor ofusca qualquer vitória..... saco!)

três minutos de conversa. E apenas isto. Uma rápida ligação, o tom grave na voz, e a sensação de que algo importante vem por aí. E pronto! Durou exatamente o mesmo tempo que levei escrevendo até aqui essas palavras ainda sem sentido.Como num estalo, num instante, após uma sentença, uma pergunta e eis que surgem, como que por milagre, milhões de novos planos "borbulhando" em minha cabeça.
Três ínfimos minutos, e tudo simplesmente se transforma. E todas as idéias, diretivas, acertos e pensamentos mudam completamente de figura, dão uma reviravolta quase sem volta. Um telefonema com uma proposta inusitada, de uma pessoa irresistível. Pensei, pensei, pensei e ainda estou a pensar. O que é preciso agora? ... nada tão complicado. Apenas um pouco de coragem pra abrir mão desse esqueminha bem traçado (por quem???) para a minha vida de uns dias adiante, e uma porção um pouco maior de vontade de abrir os braços para um novo e incerto rascunho de uma vida ainda apenas rabiscada. É ........ amanhã pode ser o começo de uma (outra) nova etapa. Pelas cartas postas na mesa, vejamos onde pode me levar este jogo: correria para começar (e terminar) uma monografia em aproximadamente 9 meses (um verdadeiro parto); tentar concluir ao menos "dois semestres" de espanhol nestes mesmos 9 meses (parto de gêmeos); conciliar isso tudo com o retorno às aulas de Jornalismo; não desistir nas tentativas de viajar pelo programa interno da Ufba, uma viagem de imprevisíveis meses para Barcelona, na companhia de uma das minhas melhores amigas; um ano a mais, quando voltar, para me formar em Direito... com tentativa de concluir jornalismo também... e aí, enfim, quem sabe, passagem só de ida para Sampa, perseguir meus (a esta altura mais novos ainda) rumos.
Eu consigo? Fica no ar a pergunta...... essa resposta só a vida, o amanhã (e a minha mãe) poderão me dar num futuro bem próximo.



Tradução :Nara me propôs anteciparmos nossa ida para a Espanha para Fevereiro. E agora? Meus velhos planos (de ontem mesmo) ficam paralizados à espera de uma decisão (a minha mãe ficou em cima do muro - e pelo que eu conheço, isto me dá uma certa responsabilidade de fazer essa escolha)




Resultado do final de semana: três bons filmes, um post bem meeirinho, nenhum estudo e sono, muuuuito sono...


É engraçado como a gente consegue ter saudade de coisas tão próximas, tão recentes. Nesse exato instante não estou melancólica pela ausência de uma infância gostosa, ou de uma pessoa distante, ou de um tempo remoto. Agora, agorinha mesmo, sinto falta de coisas de ontem, de anteontem, de uma semana, um mês no máximo. Saudadezinha do abraço apertado ao reencontrar Nau, depois de tanto tempo em estado de "precisando nos encontrar". Saudade da minha euforia desta semana inteirinha, distribuindo sorrisos e dividindo planos malucos. Saudades até de umas novidades que me chocaram. Saudades do filme maravilhoso que acabei de ver, e do beijo estalado na palma da mão. Saudade de passear de mãos dadas e me sentir quase completa, com uma pessoa que demonstra que estar comigo é se sentir completo. Saudade do Núcleo de Prática hoje, mesmo em pleno sábado às sete da manhã (!!!) com pessoas com as quais convivo a quase quatro anos, e nem percebem o quanto são especiais. Saudade do Pós Tudo quinta a noite, e um monte de conversas desconexas, mas de alguma forma cheias de sentido naquele momento. Saudade da Karambola, mas não de uma forma negativa... saudade do bom que ficou. Saudades de Renatinha e das suas sandalinhas coloridas, de Rafa e suas curiosidades infinitas, de Decão e seu repertório "Los Hermanos -qualquer outra coisa, do trash ao clássico- e novamente Los Hermanos", saudades de guerrilhas de absorventes, das cambalhotas de "Queblinho Pagadela", da coxinha de forno, do cheirinho de incenso, dos estouros e despudores sempre recheados da mais crua (e admirável) sinceridade de Fabi, da serenidade e otimismo de Pedro (sempre moleque, com brilhos nos olhos e um sorriso cor de rosa) , da paz daquele toque nos ombros que Bia dá, sem sentir nem querer ; do tom firme da voz de Paulinha, da ousadia e ar desafiador de Eliane, pessoa que por menos convivência que tenha tido, me passou uma (inestimável) lição de que as novidades, apesar de chocantes e difíceis de lidar, são quase sempre a mola propulsora desse nosso mundo. Sinto saudades de uma oportunidade perdida, que- talvez sem propósito- resgato agora ; de dizer (condensando as dez que me foram pedidas) uma palavra que me venha à cabeça ao pensar "Karambola": Acreditar . Tenho saudade deste "acreditar" que me rondava diariamente, das 9 da manhã às 18h. Mas estas saudades não me dóem. De alguma forma tenho em mim incorporado o que de melhor cada uma dessas coisas me proporciona. Sim, proporciona. Num presente eterno. Ou, a depender do ponto de vista, poderia considerá-los eternos presentes.


A possibilidade da mesmisse me deixa paralisada. Acho que é essa a palavra mesmo... paralisada. Hoje eu não fiz absolutamente nada. Vontade de ficar deitada o dia inteiro, de não sair para lugar algum, de deixar qualquer compromisso para um depois a perder de vista. As vezes essa minha necessidade de que os dias sejam sempre intensos e cheios de novidades me assusta. Ultimamente, como acabou de dizer Renatinha (minha cunhada), tenho "borbulhado" planos. A minha mãe até parece levar um pouco a sério, mas em alguns momentos, ultrapasso os limites, e ela simplesmente ri. E eu me sinto ridícula.
Minhas angústias? São as mesmas, essas recorrentes em posts antigos... estas tais possibilidades que tanto me cutucam, tanto me instigam e tanto me deixam em dúvida. Fico aqui mesmo? Termino logo o curso de Direito? Tento a transferência pra São Paulo? Volto pra o inglês? Começo o Espanhol? Espanha no meio do ano? Congresso em Recife? Seminário em Petrópolis? Pós graduação em Brasília? Direito internacional, ambiental ou eletrônico? E a monografia? E o orientador? E a Ufba? São tantas lacunas por serem preenchidas, que meu tempo parece sempre insuficiente, e eu, devagar demais........ as coisas parecem estar acontecendo, e eu preciso correr para alcançar o bonde.


(apesar de tudo, uma noite mais que agradável no Bar da ponta, cheia de desabafos e com a companhia de um alguém que sabe me ouvir - e é incrível como isso as vezes é o suficiente para que eu consiga enfim dormir em paz)



(Caramba, são quatro da manhã, e eu aqui, falando coisas sem nexo, pra ninguém, por motivo nenhum. huuuuuuuuuuuuummmm ... poder fazer isso é tão bom .... )



Sim e não. Me peguei pensando nas inúmeras, praticamente incontáveis possibilidades que a nossa vida pode tomar. Entre um simples sim ou não, se definem caminhos imprevisíveis, opções definitivas. Sim e não. Considerando apenas estas duas possibilidades, ignorando as diversas outras opções entre um e outro, enlouqueci numa lógica meio louca...
Para cada situação, dessas simples, em que devemos apenas responder sim ou não, temos dois rumos distintos a seguir. A partir daí, a depender do rumo que escolhermos, nos deparando com outra questão que implique esta escolha, aparecem-nos mais dois rumos possíveis. E assim sucessivamente. Não me controlei, e continuei a imaginar... e foi daí que constatei uma probabilidade ¿bem por baixo¿, da quantidade de possibilidades de rumos que temos durante nossa vida, à nossa frente, esperando simplesmente por um sim ou um não para definir nossa próxima conseqüência. Aonde isso tudo me levou? A uma equação inquietante; se contamos apenas estas pequenas e simplórias situações nas quais temos que optar entre o SIM e o NÃO, em nossa vida teremos : ¿2 elevado a n¿ rumos diferentes que poderíamos ter tomado. (n = ao número de vezes que decidimos entre o sim e o não)

Trocando em miúdos: Se Maria tem que optar entre sim ou não em ínfimas 20 situações durante toda a sua vida, isto significa que existiram no mínimo 1.048.577 combinações ou possibilidades diferentes de rumos para a sua vida ( dissecando: 2 elevado a 20). E eu só estou contando aquelas hipóteses na vida em que ela só tem duas opções de escolha! Além de que, hipoteticamente, na vida desta personagem, ela só teve que escolher entre o sim e o não 20 vezes! Ai, meu Deus... que neura! Exemplificando ainda mais didaticamente (ou... complicando mais ainda!):


Da superioridade dos beijos-borboleta

Primeiro, o modo de usar: aproxime-se o olho do rosto que se vai beijar e, à distância de meia-pestana, cerrem-se e abram-se as pálpebras em cadência na imitação do vôo e brisa das borboletas.

O beijo-borboleta é o pontífice dos beijos. É carinho destilado no estado mais puro. Mas é também sensualidade porque não se aproximam olho e rosto desta forma impunemente.

Um beijo-borboleta é ainda sinal de aliança. Ninguém dirá "mando-te um beijo-borboleta", a frase é ridícula mas pelos maus motivos, não há nada mais presencial do que um beijo-borboleta. Alguém poderá dizer, pelo contrário, "quando estivermos juntos te darei um beijo-borboleta", e isso é tão forte como palavras de futuro, como um anel de noivado.

"Mandas beijos? Sim, sim, isso é agradável", pensou, "mas o que eu queria de ti era mesmo a promessa de uma borboleta no meu rosto".




texto retirado do blog Sous les pavés, la plage!

"E novos baianos te podem curtir numa boa..."


"Alguma coisa acontece no meu coração,
Que só quando cruzo a Ipiranga e Av. São João...
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee ,
A tua mais completa tradução.
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e Avenida São João...

Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mas possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa..."





Putz... essa Clara Mota - "úhúúúú" não existe não ... !
Eu TINHA que fazer essa observação, pra vcs irem lá no "bagaceira" ver o post que ela fez sobre Léo (rs).
Clarita, Clarita... vc sabe que está mexendo com fogo, né? (ou melhor... com pistolinha de água!) ... tomara que aguente as retaliações, poi conheço meu gado (sem trocadilhos!) ...!

Para entender (e rir) confira: To na bagaceira

Revira. E volta. As vezes gira, gira, gira, e pára num lugar que eu nem imaginava existir (se é que posso dizer que páre em algum momento).
Assim tem sido a minha vida.
Cheia de espaços, nos quais tenho criado a melhor forma de ser o que quero. As vezes acontece por acaso, admito. Dá o estalo, uma vontade incontível, e pronto. Está feita mais uma mudança esquisita e inesperada. Apesar dessa inconstância, descobrir essa infinidade de rumos me entusiasma mais do que qualquer outra coisa. Mesmo que pra isso eu sinta o peso e a dor que agonia, de deixar para trás coisas que também me foram importantes (olhar para frente, e sonhar o futuro. Deixar pelo caminho algumas pegadas nem sempre tão firmes, e carregar na bagagem da vida apenas aquilo que realmente me acrescenta).



Saí da Karambola.
Com algumas lágrimas entaladas na garganta, e nos olhos o brilho de quem (re)começa a planejar o futuro.





Momentos que dispensam palavras. Pessoas que dispensam elogios. Companhias indispensáveis.



Olha lá, quem vem do lado oposto vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos sao escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitoria e perde a gloria de chorar

eu que ja nao quero mais
ser um vencedor
levo a vida devagar
pra nao faltar amor

olha voce
me diz que não
melhor esconder
o coração

Não faz isso amigo
ja se sabe que voce
so procura abrigo
mas nao deixa ninguem ver
Porque será?

e eu que ja nao sou assim
muito de ganhar
junto as mãos ao meu redor
faço o melhor
que sou capaz
so pra viver em paz








Minha força está na solidão.

Não tenho medo nem das chuvas tempestivas

nem das grandes ventanias soltas,

pois eu também sou o escuro da noite.



Clarice Lispector


Faces de mim

Não é que não saiba quem sou. Diferente disto, reconheço-me em muitas. Longe da incompreensão, sinto-me simples. Um punhado de sonhos, milhões de possibilidades, alguns caminhos e diferentes motivos para decidir por onde ir. E porque não percorrer cada um deles?
Tenho sentido com uma certa clareza que a possibilidade que tenho de me encontrar mora na minha própria capacidade de me perder.




...as vezes a imensidão de possibilidades me cega... Outras vezes ilumina. (hoje aconteceu assim)



Alguns momentos que trago comigo, naquela caixinha de preciosidades que a gente carrega no bolso para onde quer que a gente vá.



Um alguém me acompanha, me segue, me olha, me ama, me entende, me quer e me tem. Ele é quem me mostra, me encanta, me assusta, pergunta, esclarece e que sabe quem sou. Tem alguém no meu mundo que acorda, e que pensa, e faz, e que quer, e sonha e dorme de novo e não esquece quem sou. Tem alguém que me liga, me instiga, me ensina, me adora e me é.(??) Me é. Alguém sem o qual provavelmente não saberia ser, assim como sou. Alguém a quem devo defeitos, qualidades e acima de tudo amor.

Sem voz eu canto; lanço ao vento o meu encanto, tento em vão trazer pra perto um pouco de tudo o que as vezes eu queria ser. Acordo e quero. Acima de tudo.É vão, é finito, é passageiro. O tempo pinga lento mas de alguma forma o amanhã já é ontem. Não existe espaço para construir. O intervalo entre o que é e o que devia ser é um abismo que esconde todos os meus sonhos.

Odeio discutir. Odeio brigar, tirar alguém (ou sair) do sério, bater perna, fazer cara de zanga e me sentir incapaz de resolver alguma coisa. Tem coisas que detesto assim ... quase fisicamente. Como soluçar. Tá, é bem bobo o que vou dizer, mas uma das coisas que mais odeio na vida é soluçar. E agora me encontro numa situação meio cômica, meio triste, completamente incômoda: soluçando adoidada, e brigada com alguém que me importa muito. E sem saber o que fazer para resolver qualquer um destes dois incômodos


(irc!)

Deu vontade (não tão por acaso) de falar de algo que me incomoda muito. Uma coisa com a qual nunca soube lidar, e nem sei enfrentar. É bobo. É infantil. É imaturo... Mas é sincero. A verdade é que me sinto perdida frente a uma daquelas "pessoas que a gente conhecia tanto e que de repente não conhecemos mais".
Uma sensação de impotência contra o tempo, contra o rumo que a minha vida vez por outra teima em seguir.
Quando me deparo com uma situação assim, e dou de cara com algo ou alguém que já foi tanto e que sem motivos, de um momento para outro, simplesmente deixou de ser... nessas horas sinto que tudo ao meu redor é frágil demais. E os amigos, e os lugares, e as vontades... tudo pode, num piscar de olhos, perder essa importância toda que tem hoje para mim (ou que eu tenho para eles).
Me dá vontade de agarrar pelo braço cada amigo, cada irmão, cada momento que amo e arranjar uma forma de acorrentar tudo isso à minha vida, pra que nada consiga escapar ou se perder nesse caminho que tenho pela frente.
Medo, medo, medo. No fundo (num lugar que nem eu tenho coragem de alcançar) talvez este medo explique uma porção de questões que pairam sobre a maioria das minhas (in)decisões. Algumas vezes reticências providenciais camuflam o pavor que sinto de histórias que acabam. Outras vezes, nem isso resolve o problema.

Todo Risco

"A possibilidade de arriscar é que nos faz homens.
Vôo perfeito no espaço que criamos.
Ninguém decide sobre os passos que evitamos.
Certeza de que não somos pássaros, e que voamos.
Tristeza de que não vamos, por medo dos caminhos"

Damário da Cruz

Tem amor que dói. Amor incondicional, amor maior que a gente. Tem pessoas que simplesmente nos importam. Assim... só (e tanto) por existirem... E sem as quais a gente seria um tanto diferentes. Meu irmão é uma dessas pessoas especiais. Um alguém logo ao lado que sustenta muito do que sou sem sequer dar-se conta disso.
Segurança, atenção, carinho e colo. A ajuda displicente quando estou prestes a desabar. Tenho um irmão que me conhece, me respeita e me acrescenta. E isto, em alguns momentos da vida, me basta.

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Informativo "Olinda 2004": Se algum dos integrantes do nosso BBB Olinda entrar aqui em plena tarde de sábado, fica o convite... hoje tem churrasco em minha casa em Guarajuba, ok? Provavelmente dormiremos por lá mesmo. Vou tentar ligar para todos! Beijocas e... pãrãrãrãrãrãrãã ... pãrãrãrãrãrãrãã ... rsss ...

Meu silêncio não é mudo. Meu silêncio grita, meu silêncio sorri. Meu silêncio agride, agradece e fala muito mais do que eu.
Tenho um silêncio tagarela. Um silêncio que não deixa passar nada. Em silêncio eu amo e em silêncio ignoro o que mais me incomoda. Em silêncio peço ajuda, dou gargalhadas e choro de vez em quando. Tenho um silêncio cheio de palavras. Vez por outra me sinto assim, inundada, transbordando, sufocada. Meu silêncio de vez em quando me entope. Me deixa carregada. Cheia de desabafos, cheia de pedidos, cheia de tantas meias palavras ditas em entrelinhas ... ou "entrepensamentos".
Do meu canto calada conheço pessoas que jamais saberão ao certo quem sou. Assisto ao ritmo louco de alguns, ao toque sutil de uns tantos que também sabem chegar em silêncio e dialogar desse nosso modo bem louco. Meu silêncio tem tramas e idéias. Tem ar de domingo, cara de sono e vontades sem fim. Meu silêncio sonha. E não pára de emitir opiniões. Critica, elogia e se diverte. Mas também se aborrece. Meu silêncio agradece. Nem todos notam. Meu silêncio tem uma voz rouca, de quem não cansa de tentar ser ouvido.
As vezes me sinto entalada. Com um turbilhão de idéias, planos e sonhos. Com vontade de falar pra algumas pessoas umas tantas pequenas coisas, que talvez fizessem enorme diferença. De vez em quando, conversando com algumas pessoas, bate uma sensação de "se você soubesse...".








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