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Hoje eu estou, literalmente, de pernas pro ar
(morrendo de frio e assistindo uma reprise de O.C. - só falta a pipoca!)
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Meu personagem não tem certezas. Ele nasce exatamente dessa indecisão contínua frente às inúmeras possibilidades que me são dadas. Ele surge da dúvida, da indecisão, e nessa falta de caminho próprio, ele se torna plural.
O meu personagem não sabe. (por sinal, esta única certeza é a sua maior virtude).
Esse meu personagem vive um destino sem rumo (como, ao contrário do que a prepotência humana faz crer, acontece com o destino de todo e qualquer outro homem).
Meu simplório personagem tem múltiplos papéis, dentro de sua também simplória vida.
Estabanado, confuso, sedento e carente, ele muito quer, mas não imagina por onde deva começar sua procura.
(Meu personagem ainda ensaia nascer. Mas cá com meus botões, começo a crer que desde sempre ele exista um pouquinho em cada um de nós todos)
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Queria de presente, nesse instante urgente, um tema qualquer que fugisse à monotonia dessa minha vida monocromática. Uma razão para escrever, qualquer que fosse, que escapasse às minhas voltas sobre o que tenho deixado de ser do tanto que sonhei até hoje. Queria encontrar um sentido fora do meu círculo enclausurado de situações e sensações; um motivo além, diferente desse tanto de repetições de que me faço, me construo, e vou sendo quase sem querer.
Acontece que espero por este presente a muito tempo, tempo além do que tenho para gastar com divagações sem propósito. A minha realidade hoje clama por propósitos, e basta de preguiça, basta de comodidade(até porque, não sei mais onde encontrá-la).
Tara, onde foi que guardei seus rascunhos? O motivo do seu nome, encontrei hoje mesmo, mais de ano após batizá-la. Não...pensando bem, não dá pra descobrir verdades tão distantes. Não com certeza; e sem esta, não se pode ter verdade alguma. Neste exato momento sentei-me aos seus pés, após um gole frio de um vinho barato, e uma tragada medrosa numa ponta de cigarro velho. E nem essa cena deprimente é verdadeira. Sento-me só, tentando vasculhar meus impulsos atrás desse presente que provavelmente só eu poderei me dar.
Algum tempo atrás, (...) Aliás, minto. E não mais direi o que sequer comecei a dizer. Ao invés disso, divirto-me ao perceber como, ainda tão jovem, já perdi muito da noção de tempo, de ordem, de sucessão de fatos. Tudo parece estar aqui agora me acompanhando nessa febre; esse vômito, essa necessidade de dizer algo por não conseguir dizer o algo que realmente importa. Preciso me desfazer do que tenho por tanto tempo sido. Minha falta de ritmo paralizou-me em mim mesma, e parece que só a mim enxergo; só a mim conheço; só a mim converso; só a mim descrevo.
O princípio de um projeto sem importância conseguiu um dia criar em mim uma expectativa tão plena de libertação, que me senti solta demais, abandonando-me tão completamente, que muito rápido precisei enclausurar-me de novo em minha própria prisão de ser.
Pode chamar de pretensão, mas eu entendo Pessoa. Entendo, sim. Sua revolta morna, a consciência de mediocridade de uma vida sempre à beira da vida. Como ouso? Ouso sentindo, ouso doendo, ouso a cada instante um pouco mais após cada próxima palavra que leio.
(ah, como eu queria...)
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"Viver uma vida desapaixonada e culta, ao relento das ideias, lendo, sonhando, e pensando em escrever, uma vida suficientemente lenta para estar sempre à beira do tédio, bastante medida para se nunca encontrar nele. Viver essa vida longe das emoções e dos pensamentos, só no pensamento das emoções e na emoção dos pensamentos. Estagnar ao sol, douradamente, com um lago obscuro rodeado de flores. Ter, na sombra, aquela fidalguia da individualidade que consiste em não insistir para nada com a vida. Ser no volteio dos mundos como uma poeira de flores, que um vento incógnito ergue pelo ar da tarde, e o torpor do anoitecer deixa baixar no lugar de acaso, indistinta entre coisas maiores. Ser isto com um conhecimento seguro, nem alegre nem triste, reconhecido ao sol do seu brilho e às estrelas do seu afastamento. Não ser mais, não ter mais, não querer mais..."
(Fernando Pessoa)
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Ser me tem sido desgastante. E o pior disto, é não saber fazer de outro jeito.
Ser como sou, com as manias que tenho, nos lugares que estou, com estas pessoas ao redor, estas idéias cá dentro, e esse meu jeito tão questionável... Isso tudo me tem corroído. Ainda pior do que aquilo que a poucos minutos achava pior, é que de mim não posso dar um tempo, tirar férias, ou ignorar por um dia sequer.
De mim mesma, não há descanso.
Assisto as críticas, súplicas ou meros comentários, mas o esforço por defender-me, retrucar, ou até por aceitar parece exigir-me um dispêndio grande demais de uma energia que nem sei se tenho.
Que fazer quando se está cheio de si mesmo? Cansada de ouvir aquilo que sempre dizes de mim, e que pode ou não estar certo. Cansada de ter que responder alguma coisa qualquer, porque assim sou e não sei fazer diferente. Cansada de ouvir minha voz discutindo tantas coisas sem importância, que sempre parecem me ser tão urgentes, num tom sempre cheio de razão. Cansada de ser pedida pra que reflita sobre mim mesma, quando é só isso que tenho feito, dia após dia.
Hoje eu não queria nada do que normalmente desejo. Hoje eu queria uma árvore imensa, e um dia de sol forte (apenas para que a sombra desta árvore fosse realmente aconchegante). Queria estar sozinha lendo alguma coisa bem distante de mim mesma, ao pé desta árvore solitária em meio a um silêncio redentor. E só. Sem telefones, computador, problemas ou soluções. Queria estar distante de qualquer um que me conheça demais, ou intentasse qualquer ingênuo gesto de ajuda. Hoje queria piscar os olhos e parecer tão despretensiosa quanto a folha em branco perdida numa gaveta velha.

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VIXE MARIA!
DEUS
E O
DIABO
NA
BAHIA
Pessoal, falando sério; essa não dá pra perder ... De longe, a melhor peça de comédia que assisti nos últimos tempos.
Depois da trágica "Comédia do Fim", e da enganação recheada de humorzinho de internet "Só os loucos dizem a verdade", enfim acertamos em cheio.
A produção de "Vixe Maria!" é fantástica. Tudo chama atenção na medida exata; o texto, cenário, iluminação, figurino, as grandes atuações, o humor esperto, a ironia escrachada, o roteiro.
A peça é imperdível, absolutamente CÔMICA (entrando para o rol das grandes pérolas do teatro de comédia baiano).
Breve ficha técnica:
Com Frank Menezes, Jackyson Costa, Cristiane Mendonça, Diogo Lopes Filho, Edvana Carmo de Carvalho, José Carlos Jr., Sue Ribeiro, Aless Borges, Mauricio Assunção, Paulo Borges,Ana Maria Burguês, Cristiane Florentino, Isis Carla Cardoso, Mauricio Oliveira (Faísca), Milena Bomfim e Isis Oliveira.
Texto de Cláudio Simões, Cacilda Póvoas e Gil Vicente Tavares
Direção Geral de Fernando Guerreiro
Direção Musical de Jarbas Bittencourt
Direção Coreográfica de Rita Brandi
Figurino de Miguel Carvalho
Cenário de Euro Pires.
Baseada em adaptação livre do conto ¿A Igreja do Diabo¿, de Machado de Assis.
Onde: Teatro Jorge Amado, Pituba. Telefone: 355-8608.
Quando: 25, 29, 30 e 31 de julho e 01 de agosto, às 20h.
Quanto: Quinta-feira: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia); Sexta e Domingo: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Sábado: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).
Quem tiver interesse, compra com antecedência, que os ingressos estão se esgotando muito rápido!
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Aos de sempre, aos recentes, aos de longe, aos daqui. Aos de ontem, aos que ainda nem chegaram a ser. Aos que ouvem, aos que falam, aos que me fazem rir e aos que nem sabem o que fazer. Aos que ligam, aos do dia a dia, aos que lembram, aos que são lembrados. E àqueles que um dia foram. Aos do colégio, da faculdade, da rua, do prédio, da vida. Aos que um dia serão, aos que nunca têm tempo, àqueles tantos que nem sabem que são. Aos que "apesar de" continuam sendo. A todos que passam por aqui, um dia ou outro, ou sempre, ou até quase nunca. Aos que pousarem aqui por acaso, e também por acaso sentirem-se a vontade. A cada um desses rostos; a todos em conjunto; àqueles que aqui não estão ainda apenas porque não lhes tenho uma foto em mãos; a todos aqueles a quem possa atingir esse meu simples voto, tão disfarçadamente cheio de intenções:
Feliz dia do amigo !
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Tá, hoje é dia do amigo, mas o meu impulso pra escrever esse post veio de um outro fato, completamente por acaso. Hoje, excepcionalmente, andei vasculhando uns posts antigos e, por um desses motivos que a gente sente, mas que não existe de verdade, cliquei no box de comentários de um deles (pra ser bem específica, no do dia 30 de junho de 2003, em que postei uma foto minha e de Kilpp). Encabeçando os comentários, encontrei por lá, PERDIDO:
"Gordinha, por favor, não inventa
de botar uma foto minha nesse
blog queimação, heheheh!
Brincadeira! Tô com saudades,
vê se manda noticiais que eu to
vianjando daqui a duas semanas!!
Da uma olhada no meu blog também!
Beijo!
Leo Baruch | 18-06-2004 13:29:27 "
Dos fatos (curiosos): O comentário está num post de Junho do ano passado, mas foi escrito em Junho deste ano, ou seja, não havia grandes possibilidades de eu, algum dia, vir a lê-lo. Consequentemente, não saberia da existência do blog, e, em razão desta última... provavelmente demoraria SÉCULOS pra descobrir que Léo tá morando em Londres.
Sim ... e o que tem isso de curioso? Os que me conhecem a bastante tempo, com certeza já têm noção do absurdo que isso significa, e da confusão que isso me faz sentir.
Giro, giro, giro mais uma vez, e volto a essa minha estranheza-lugar-comum, ao perceber nos fatos a prova viva de que alguns de meus medos não são nada absurdos.
Afinal, é verdade que o tempo e a vida conseguem afastar de nós pessoas que nunca deixa(re)mos de amar.
Curioso é que o espaço que se estabelece entre nós e essas pessoas é sempre grande o bastante para que não consigamos enxergar um ao outro, mas um pouco mais curto do que o necessário para tomarmos consciência da distância que nos separa. Assim, se a gente deixar (e muitas vezes nem nota), vai levando vidas paralelas àquelas de tantos com os quais já nem lembramos, mas amamos conviver. E deixamos aquele gostoso dia a dia em conjunto encaixotado num passado de fotografias (amarelando todos aqueles sorrisos sinceros).
Um dos meus grandes amigos sonhou alto, tomou uma enorme decisão, deu um passo adiante e voou longe. E por mais irônico que pareça, agora que está a milhas de distância é que eu tenho a iniciativa de trazê-lo de volta pra mim.
Meu gordinho Léo ; te amo muito. Desejo que você aproveite ao máximo todas as experiências que está prestes a viver, e volte ainda mais especial do que foi até hoje (o que não é pouco). Meu gordinho Dudi ; (e isto tudo aqui vale pra você também!) nem preciso repetir que também te amo demais, né? Saiba que estou com uma saudade apertada daquela nossa convivência boba entre-aulas, que só agora (que você não está mais com a gente) mostra seu tamanho .
A vocês dois; saibam que carrego comigo eternamente a vontade de rir mais uma vez das nossas velhas piadas (de sempre), que, espero, carregaremos pela vida afora.
Por ser dia do amigo, e por ainda pensar em vocês em cada alegria que vivo; Pelas suas pirraças tão chatas, mas sempre tão carregadas de carinho; pelos muitos anos que a gente traz na bagagem, carregando no colo essas crianças que um dia fomos (juntos); por todas essas coisas e por mais aquele tanto de coisas às quais palavra nenhuma consegue alcançar, é que desejo continuar intercalando cada esquina da minha história com o caminho que vocês estiverem trilhando; sempre. Seja ele qual for.
Beijo grande, meninos. Até qualquer dia desses (qualquer que ele seja, contanto que chegue logo).
(Ah ... e só por pirraça, toma aqui uma foto bem grande de vocês DOIS !!!)
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Provavelmente todo mundo tem aquela fase em que nenhum livro parece interessante, e todo filme é um tanto frustrante. As pilhas de tentativas vão se acumulando na cabeceira da cama, e mil histórias aparecem em nossa vida, para jamais terem um fim. É, esses livros estarão então fadados à poeira, eternamente à espera daquela boa vontade que jamais virá... marcados pela "orelha" nalguma dentre as páginas quinze e vinte e cinco; para sempre.
Com os filmes, já acontece um pouco diferente. Na maioria das vezes (fora as exceções intragáveis, mas até que bem raras...) assistimos até o fim, sim. Pra aí então, duas horas mais tarde (quando não mais), termos a certeza irritante do tempo gasto sem sucesso. Na televisão, nadinha que preste. No cinema, três ou quatro filminhos nada atraentes. No teatro, a sorte ainda não é maior...
Nossa, como eu detesto estas marés de insucessos, normalmente quando mais estamos sedentos de inspiração, emoção, ou até de um passatempo qualquer. Acontece que ultimamente, não tenho tido do que reclamar. A toque de fada, minhas escolhas têm me rendido quase sempre gostosas surpresas, às quais, hoje, agrupei uma nova relíquia; assisti "Dogville". E pra completar essa noite casualmente especial, vou dormir entre uma ou outra frase magistral de Fernando Pessoa, em "O livro do desassossego" (meu novo e maior vício).
(antes de pegar no sono, porém, achei justo deixar por aqui algumas dicas de gostosas descobertas que já fiz - e me vêm agora à memória)
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( ) e todo esse silêncio, de repente, começa a incomodar ( )
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Olha nos meus olhos, e sente quanto medo carrego comigo.
O futuro chegou, ele está me esperando à porta de casa, aguardando aquelas respostas que um dia jurou vir cobrar-me, e sabe o que? Não as tenho.
É chegado o momento dos grandes momentos, e eu ainda me sinto pequena demais, fraca demais, e sem o fôlego necessário pra vivê-los.
Até agora, a única coisa que descobri foi essa minha necessidade de falar. E então? Que fazer com isto? Insistir nesta minha busca retardada, a pés descalços sobre asfalto quente, por algo que ainda sequer consegui projetar objetivamente? Será realmente sensato continuar a procurar uma utilidade (talvez inexistente) para as minhas palavras, ou talvez seja chegada a hora de baixar a guarda, despir-me do orgulho e encarar uns até então repugnantes conselhos...?
Hoje a minha vida começa a me cobrar certezas. E eu tento me organizar, mas não enxergo nada novo. Não sei se por insegurança, ou simplesmente necessidade de me agarrar a algo, começo a sentir que preciso calcar-me no real, pra tentar viver um (qualquer) sonho possível. Caso contrário, pode ser que passe o resto do caminho colecionando frustrações...
Alguém aí, por acaso, teria algumas certezas de sobra, pra me emprestar por uns tempos ?
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O dia de ontem foi uma daquelas "raridades", quando você não espera muita coisa e então tudo o que acontece te surpreende.
Pela tarde, conheci uma creperia nova que fica no Jardim Apipema. O nome é Mariposa, o lugar é super charmosinho, delicioso.
De noite fomos para o Frankfurt e, para minha (agradável) surpresa, apareceram mais pessoas do que eu esperava. Episódios à parte, fica aqui a dica: não dá pra deixar de ir lá, conferir o show-comédia das quartas feiras. É realmente engraçado (os olhinhos de Léo brilhavam a cada jingle, a cada "sacada" do cara... e Heleninho fazia aquela expressão: "Droooga, porque não pensei nisso antes?!").
É muito divertido, de verdade. Imperdível. Principalmente, se você puder levar uma companhia como Abra, daquelas pessoas que parecem ter, estampado na cara, um "ei-mexa-comigo-que-eu-sou-mau-humorado-e-detesto-brincadeirinhas". rs! Bom, a noite foi deliciosa, os presentes foram TODOS "a minha cara", e por falar nisso, me senti no direito de publicar aqui um trechinho da homenagem que Clara fez pra mim no blog dela - com direito a poema! Para os que não conhecem a figura, não se assustem, a criatividade dessa menina realmente não tem limites... rs! Valeu, Clarinha! A-M-E-I meu poema !!!! rs ...
"(...) Quando eu penso em você, penso em poemas, só que não tenho seu talento de poetisa, por isso vou fingir que estou sendo profunda (o segredo é colocar interrogações e palavras como "talvez" e "nada"), mas é tudo fingimento meiismo. (...) Aí vai:
Sensação.
Ardor.
Talvez.
Penso?
Aniversário, abecedário.
Parabéns... para quem?
O nada. O tudo. Mudo.
Café no bule
É Xuli!
Dá pra tomar uma Kaiser antes?
Nã nã nã nã nã "
(Agora me diz: Quem aguenta?!)
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daí que tá na hora de começar a ...
... pintar esse sete!
... e ai de quem acreditar nessa minha tpm besta de ontem, e não ligar pra me desejar feliz aniversário ... hunft! :-)
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O amanhã está prestes a acontecer, e daí ?
Daí que me sinto estranha, e pela primeira vez o sete de julho não brilha pra mim.
Mais um ano de vida, e estes "parabéns" me vêm por que, mesmo ?!
Neste ano o meu aniversário está pesando. E eu não estou feliz. Não estou radiante. Não vou ligar para os amigos, encontrar todo mundo e fazer uma festa qualquer. Esse ano eu não estou com a menor vontade de ser o centro das atenções. E daria qualquer coisa pra adiar esse dia um tanto mais (quanto possível).
Não, não é crise de idade nenhuma. É apenas aquela sensação ruim de olhar pra trás e perceber que muito pouco aconteceu dentro de tudo o que se desejou desde o assoprar velinhas de doze meses atrás. É essa angústia de ver o tempo chegando, e indo embora novamente, e todas as promessas permanecerem do jeitinho que nasceram.
Eu hoje estou assim; com o nariz vermelho, a garganta apertada e vontade de me esconder embaixo de um lençol e só acordar quando o entusiasmo voltar.
(e, acima de tudo, com muito ódio de mim mesma por sentir estar prestes a boicotar um dia tradicionalmente todo meu )
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...estudar,estudar,estudar ...
(até sexta feira, esse é o resumo da minha vida)...
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Mas, afinal, de onde vêm as certezas?
Qualquer uma; escolhe a que quiser e me diz - de onde ela saiu?
Estava aqui imaginando se existe realmente
essa possibilidade que tantos professam a meias palavras;
essa chance de que, do meio de todas essas minhas dúvidas,
buraco sem fim, surja de alguma forma,
em algum momento, uma certeza qualquer.
Não, não é angustia. Não é desespero, nem sequer ansiedade.
É curiosidade, apenas.
(ou tanto)
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