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Vitrine de mim


Controle, objetivo, previsão, meta... bah!

(No fim das contas, tudo de mais importante que me acontece tem sempre um empurrãozinho do acaso...)



É...
Deu formiga em minha cama mais uma noite. E eu me esforcei, esforcei, e esforcei mais uma vez pra voltar a dormir, mas então me lembrei de um tempo em que acordava assim, engasgada de palavras por dizer, frases prontas, textos girando completos em minha cabeça, urgentes por serem desabafados. E eu então acordava. Acordava, vinha aqui, escrevia, soltava tudo e voltava pra dormir o sono dos que não pesam.
Acontecia assim há muito tempo atrás. E só agora me dei conta do quanto isso é bom. O simples fato de acordar às três da manhã por ter algo bom sobre o que falar, ou sobre o que sentir... O simples fato de ter sobre o que falar, novamente, e tão assim... sem medos, pudores ou constrangimentos.

Já pensei ser boa, já pensei ser má. Já fui responsável, tolerável, muito boba. Fui agoniada, nervosa, estressada, apaixonada, intensa, absurdamente calma. Já fui de tantos jeitos que meu jeito nem parece ser capaz de comportar tantos perfis.
Já fui a louca, a simpática, a intragável, a amiga e a "chata-chata, papai". Fui sorridente, fui só prantos, fui muito peso e pouco espanto. Já fui milhares de coisas nas quais hoje me reconheço, outras tantas nas quais nunca me vi. Fui dengosa, um pouco falsa, fui leal e às vezes falha. Já aconselhei, já dei de ombros, já falei muito e muitas vezes deixei tanto por dizer. Fui eufórica, silenciosa, atenciosa e até pedante. Já fui modesta, autoritária, ciumenta e necessária. Fui irmã, fui companheira, fui amor e fui perdão. Já fui também ressentimento, muita dor e solidão.
Penso em algo que ainda não tenha sido, e a resposta que me aparece é o agora. Eu jamais tinha sido essa. Eu jamais tinha sido tão sentimento, tão vontade, tão sem medo dentre tantos medos. Nem sei se o que estou falando é verdade, mas me sinto completamente nova. (e o dia nem raiou).





"Deixa ser como será...
Tudo posto em seu lugar

Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será
Eu já posto em "meu lugar".



Nada, nadinha mesmo... Nem o peso de uma segunda feira novinha em folha, com todas as suas pendências e consequências, consegue me tirar os largos e merecidos sorrisos que intercalam meu dia.
A minha vida voltou a ser leve, gostosa, a ser (como disse Jack), muuuuito mais "a minha cara". A que eu devo isso tudo? A mim, e aos amigos que têm me rondado de uns tempos pra cá.

O show ontem foi delicioso. Primeiro, porque era Los Hermanos. Segundo, por ter reencontrado pessoas TÃO especiais, que amo tanto e por circunstâncias bobas estavam um pouco distantes de mim.
MUITO bom rever tanta gente querida, estar tão radiante, entre irmãos, primas, amigos e meros conhecidos tão leves, numa situação tão gostosa.

Nesta última semana eu notei que estou voltando a ser o que no fundo nunca deveria ter deixado de ser ; MUITO feliz.
( ontem faltou só um "detalhe" para tudo ser completo, mas quanto a isso, não dava mesmo pra fazermos nada. Foi perfeito, mas faltou pouco pra ser LINDO :-) )



Descobri que algumas coisas são assim ... indescritivelmente LINDAS.

(e por isto, muito por isto, estou assim... inexplicavelmente FELIZ.)




A vida tem me forçado a começar a acreditar em anjos.


Se não for exatamente esse o recado, ela certamente está tentando me fazer (re)começar a acreditar. Simplesmente. No que quer que seja. (e isso talvez, por enquanto, me seja o suficiente).



Nem preciso comentar que a foto não é minha, eu sei ... mas é que eu me sinto bem do lado de cá da câmera, olhando esse mar infinito, com um caminho prestes a me levar (sempre) a um lugar inalcançável.

O engraçado é que, apesar de tudo, aprendi que o que importa não é o que está lá na frente, do outro lado da lente, se mostrando quase palpável e ao mesmo tempo inatingível (se isso for realmente possível); o que importa mesmo é o que está do lado de cá; é o lugar em que me encontro, agora mesmo, nesse caminho louco.

Assim é muito mais fácil guardar, sem medo, aquelas alegrias que merecem ser cuidadosamente encaixotadas, embrulhadas num belo papel, envoltas no mais colorido laço de fitas... mas que precisam realmente ser deixadas um passo sempre atrás de onde estaremos.

( Esse tipo de alegria de repente se torna assim... já parte do nosso caminho; o resto que as envolve e porventura não mereça estar ali, a gente joga ao mar e segue em frente, com a felicidade que sempre nos resta ).




Felicidade é um troço estranho...

Ela acontece, de verdade, e pega a gente assim... mesmo despreparados, mesmo sem querer, mesmo no meio do que deveria ser um dia normal. Felicidade não chega, assim, "simplesmente". Ela invade mesmo. E dá medo, por a imaginarmos (as vezes sabermos) fulgás.
Mas quer saber de uma coisa? Mais uma vez, dane-se o amanhã. Hoje eu acordei com um sorriso emoldurado, estampado, grudado no rosto, daqueles dos quais nenhum amanhã é capaz de me tomar. Quando coisas especiais assim acontecem, parecendo não ter um "porque", parece que todo o resto ao redor, contraditoriamente, adquire mais sentido. Bom demais me sentir assim, com vontade de escancarar a janela, olhar o dia acontecer, e pensar no ontem. Pra sempre.

(Não adianta. Eu até tentei, mas tenho que admitir ser impossível encontrar uma cor capaz de traduzir esse tipo de felicidade)


Neste feriadão Deus me pregou uma peça deliciosa...

Já antes, a partir da sexta feira, ele resolveu me trancafiar numa gaveta imensa, daquelas um pouco empoeiradas, mas cheias de surpresas e lembranças gostosas. Ele me fez re(con)viver com figuras, momentos e sensações antigas, daquelas que de tão especiais, por mais que o tempo passe, ainda se mantém em nós.
Os amigos, as lembranças, as risadas, a memória de uma (que sempre acaba por complementar as falhas da memória das outras), a presença daqueles com os quais nunca mais se esteve, o abraço enfim bem dado nos outros tantos, que por sua vez estão sempre por perto; praia; cervejinha; bom humor extremo e pronto. Não tem como fugir dessa felicidade toda tonta, de tão completa.

A poeira definitivamente não consegue ofuscar o que é realmente especial, né? Apesar de qualquer espirro ... :-)
(Cansada demais, em véspera de prova mas sorrindo, com a satisfação de quem reafirma pra si mesma o quanto "estar entre amigos" pode ser um remédio pra a alma).




A cada um desses tantos amores que estiveram ao meu redor nesses últimos dias mágicos, um beijo estalado na testa, cheio de expectativas por um próximo breve reencontro. Amigos e irmão(s!) ... a força da presença de vocês até hoje me impressiona ... PODE, ISSO ?!



Festa de Cinema


Local: Clube de Engenharia, na Rua Carlos Gomes, 31, Centro.
Data: Quinta-feira, 7 de outubro
Horário: 22 horas
Atrações: Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Little Bell for Sing, The Honkers
Ingressos: R$ 10 (no local)
Contatos: Catarina Ribeiro - 8117-7181
Tatiana Reuter - 8826-1969 / 342-4088
Marise Berta - 281-8055




E eu aqui, fingindo que tudo está normal.

Meu Deus... as vezes até eu me choco com a minha capacidade de iludir o mundo quanto ao meu "teórico" equilíbrio.
O mundo desaba, as responsabilidades apertam, tudo acontece e eu, que um dia achei ter em mãos as rédeas da minha vida, noto que estou à mercê dos acontecimentos, e sem o controle de absolutamente nenhum dos meus passos.
É assim que deveria ser mesmo, né? Aliás... sempre foi assim, e eu que fico me iludindo que um dia meus dias foram menos caóticos, menos casuais.

Acontece que me arde ter em mãos um jeito de ficar um pouco melhor, e simplesmente saber que não posso. Esse canto aqui não é mais tão meu ao ponto de poder dizer imensuravelmente do tudo que sinto, sem abusar de direitos que simplesmente não tenho sobre a exposição de determinadas pessoas. Muitas delas. Em especial, essa mesma que você já provavelmente sabe quem é.

Pois se não é direito meu, não farei. E continuarei assim... tonta, cheia de palavras engasgadas que só sei cuspir por aqui, e com esse nó de quem não sabe ao certo um novo lugar para despejar o que sente.

Odeio me sentir nessa situação ... tateando os limites da minha própria vitrine.










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