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Vitrine de mim





E então decidiu beber a vida de um só gole.


(engasgou)







Bem querer que não se esgota. Carinho sem palavras. Sorriso sem medida. Convivência entre amigos não precisa de grandes feitos. Tudo, a qualquer tempo, por menor que seja a pretensão, parece sempre perfeito. As mesmas histórias circulam, os mesmos trejeitos, defeitos. Os mesmos ares, o mesmo conforto, a cumplicidade de sempre. Mesmo não sendo, individualmente, mais os mesmos, parece que nesse espaço de vida que temos interligada, o tempo não passa jamais.





20 / 03 / 2005



sonhos



são



como



deuses



[ quando não se acredita neles; deixam de existir ]




(fotografias de Cig Harvey)



Nos últimos dias catei mais um tanto de incertezas do meu dia a dia, e resolvi costurar um raciocínio qualquer. A essa altura, a lógica não parece mais tão importante...
Engraçado como a gente nunca sabe o que vai encontrar e o que vai se perder nas esquinas que escolhemos dobrar pela vida.



- Resta o conforto de ter sido o tanto que se podia, quando ser tudo ainda parecia possível

(e talvez fosse)


"A verdadeira pergunta é: o quanto da verdade você é capaz de suportar?"

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril."

( Oscar Wilde )


Tem dias em que qualquer distância entre eu e o mundo parece insuficiente. Não basta estar em casa, não basta estar no quarto, não basta deitar em minha cama, olhos fechados, completamente alheia a tudo que não seja pensamento só meu. Não basta. Nada basta.
Pessoas queridas ligam, e perguntam, e me falam coisas doces... Não adianta. Qualquer ajuda, nesses momentos, piora tudo.
Chata, chata, chata. Nem eu mesma me aguento em dias como esse. Nada na tv, o livro parece não acabar nunca, toda música, de repente, me soa estridente demais. O doce enjoa, o salgado dá sede, e a água não sacia. Qualquer sorriso alheio é pirraça e um eventual mal humor é perseguição. Odeio quem fala demais, mas por favor não precisa ficar assim, tão calado, né? Não queira me entender, mas também não venha ignorar meus problemas!
Só pensar em sair me dá preguiça mas o tédio de casa me irrita.
Odeio repolho, Faustão e acordar no meio da noite pra fazer xixi. Nesses dias, odeio telefone. Odeio também dirigir. O que mais odeio, na verdade, é a falta de sono que não me deixa virar a página desse meu dia ranzinza ...
............................................ QUE MAL HUMOR !


( provável overdose hormonal )








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