Chega um momento na vida em que as escolhas querem se provar pesadas demais. Cada passo, cada sim ou não, tem um tom definitivo - quase insuportável.
Não, obrigada.
Não quero carregar o mundo.
Pra mim, chega. Chega de tentar respirar fundo e virar gente grande, assim, da noite pro dia. Chega de, como por obrigação, inventar responsabilidades - porque ser adulta, a essa altura, parece ser medido pela quantidade de responsabilidades que se carrega. Chega de franzir a testa, suspirar eloqüente e vagar o pensamento por problemas sisudos.
A minha vida pede pra ser leve. Minhas paixões latejam, a vontade incomoda e essa índole inconseqüente de menina sonhadora não consegue me manter no chão. Quer saber? Eu já tentei domar alguns destes impulsos, mas isto me rendeu invernos longos demais, hibernando desejos e acumulando frustrações.
(o abismo pode, sim, ser um ponto de partida desde que "criar asas" faça parte do plano)