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De repente o passado parece mais passado que nunca. Novos acontecimentos surgem e ocupam por completo essa fatia de vida que realmente importa - o agora. E de tudo quanto se sonhou, imaginou ou planejou, muito pouco se fez ou ainda há de ser feito. Os caminhos parecem criar vida própria, circundando tudo que achávamos previsto, empacotando velhas expectativas, por vezes provando (por "a" mais "b") o quanto a vida deve, de fato, ser vivida um dia de cada vez.
Eis que a gente acorda e se depara com um dia daqueles, a partir do qual nada será mais o mesmo. (e não é que um rinoceronte pode mesmo invadir nossa história disfarçado de formiga?)
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passando (o passado) a limpo - literalmente
Inquieta, sim. Dona de uma consciência sem vontade nenhuma de virar ação. Certa de minha particular insistência em erros que já nem são mais perdoáveis.
Fingindo ser normal. Fingindo um bem estar que não se consegue esconder por detrás de tanto silêncio mal explicado. As palavras que existem são tão fora de contexto que prefiro me calar e fingir um mal humor qualquer, solução muito mais simples do que qualquer tentativa de diálogo entre almas que já não se encontram.
O sorriso está muito além. O pensamento voa, as mãos ainda se tocam mas não se encontram. Jamais se encontrarão novamente. O comentário corriqueiro esvazia ainda mais o momento. Cada palavra, cada tentativa vã estampa com mais vulgaridade que tudo passou. Nosso tempo passou e insistimos em permanecer estanques.
O lugar, a hora, a forma com que nos encaramos já não nos cabem. Falta o cheiro, o tato, o olhar. Falta a chama, o clima, o medo, a vontade. Faltam planos, projetos, expectativas. Falta me reconhecer nesse "nós" frio do qual não imaginei voltar a fazer parte.
Me encontrei, e perdi novamente. Estar a seu lado, atada a um passado desarranjado e falido é típico de alguém de quem acreditei ter me despedido há tempos. Frustrante trair minhas próprias verdades, recuando léguas quando me imaginava já à beira do precipício, prestes a alçar vôo. Agora o caminho mudou e eu novamente começo a tatear uma saída viável desse labirinto que insisto em construir ao redor de minha própria vida.
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