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Sabe o que mais?
Esse seu jeito sem jeito, cheio de imperfeições que me encantam,
tem me feito um bem que nenhum conto de fadas jamais conseguiria fazer.
(é que o real tem esse gosto diferente, de felicidade palpável)
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(O dia em que Edson Marques desconstruiu uma de minhas "verdades" e me libertou um pouquinho mais):
" Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. "
Dizem que essa frase é de Saint Exupery — e que está n´O Pequeno Príncipe. Mas eu não consegui encontrá-la no original em francês. É uma frase com sonoridade belíssima em português, e impressiona por isso. Mas tem um sentido muito questionável. A palavra-chave para seu entendimento é "cativas". Se tomarmos o verbo "cativar" significando "conquistar a simpatia" ou seduzir, a frase se torna simplesmente ridícula: claro que não devemos nos responsabilizar pelo julgamento que o outro faz de nós. Menos ainda se esse eventual julgamento for meramente estético.
Contudo, se tomarmos o verbo cativar pelo sentido de "prender" (e daí cativeiro, prisão...), a frase começa a se sustentar: Se prendo alguém, devo cuidar desse alguém — e garantir-lhe os direitos básicos. Mas, ao prendê-lo, contraditoriamente, já começo retirando-lhe o mais básico dos direitos, que é o inalienável direito de ser livre. Logo, essa frase, ainda que sonora e bonita — é apenas um impressionante amontoado de absurdos. Uma insensatez — que é repetida como se tivesse algum sentido...
Como se vê, é uma frase extremamente bobinha.
* Cativar é estabelecer laços — diz a Raposa ao Príncipe.
Porém, no meu caso, prefiro laços desatáveis e amorosos.
— Nó cego, não! — digo eu.
E a Raposa, insistente, ainda diz: — Cativa-me!
Fosse eu a Raposa, diria ao Pequeno Príncipe: — Liberta-me!
Pois, quando me cativas, me roubas o Mundo. E quando me libertas, me devolves o Mundo.
(Texto de Edson Marques)
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Escancara essas portas, arregaça as janelas e grita o mais alto que pode. Vai por mim, é o melhor a fazer.
Explode a plenos pulmões esse bolo indigesto, preso na garganta desde o dia em que o mundo se mostrou pesado demais para caber nessa mochila surrada na qual você carrega a sua meia dúzia de esperanças amarrotadas.
Joga fora todos os papéis, um por um: pode até usar a janela pra isso também. Mas não se confunda, por favor: não estou cá a falar dos poemas escritos ao filho que nunca veio, ao amor que já se foi ou às dores que ainda estão por aí. Falo dos outros papéis, embebidos em ainda mais rancor e menos beleza, aqueles que a vida cinicamente pressionou-lhe, pouco a pouco, a representar.
Rasga esses papéis, junta-os num canto de vida e cospe-lhes um fogo que seja capaz, finalmente, de aquecer-lhe a alma.
No começo, a liberdade deve arder mesmo.
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(a) gente é bicho estranho
e pensa que sabe se comunicar só porque fala a mesma língua.
... não sei se me sinto rouca ou meio desencontrada
nesse nosso turbilhão descompassado de idéias e sentimentos.
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passou por aqui distraída.
pisava muito lento, mas não por precaução.
pisava bem leve, tão de leve que o chão às vezes escapava-lhe aos pés, e então ela flutuava.
pairava centímetros acima do resto do mundo,
com aquela habilidade exclusiva dos que vivem sem pressa.
( uma vez ouvi dizerem que pra gente como ela, o céu não é limite )
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e não é que tentando simplificar
a gente é capaz de fazer uma confusão dos diabos?!
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A moça doida da França, que deixou um rastro de risadas incontidas e histórias pra contar. O menino sem sapatos que, mal sabia eu, carregava nos bolsos furados o maior e mais gostoso abraço do mundo. Os desencontros incômodos com alguém que eu, por acaso, me peguei a querer muito reencontrar. O reencontro não menos ao acaso com aquele outro alguém, escondido num canto de minha memória, que há tanto tempo eu havia desistido de encontrar. A carioca que fala meio com a boca, meio com os olhos e me mostrou que não é preciso vir de tão longe pra ser diferente e interessante. A amiga que, na hora exata, escreveu tudo que eu realmente precisava ouvir. A moça africana que descobriu em plena Bahia um país que, há anos, se viu obrigada a deixar pra trás – sim, chorei de emoção a assistir alegrias tão súbitas. O desconhecido da bebida de morango que, entre piadas e histórias despretensiosas, se revelou mais uma surpresa curiosa e doce (ainda bem que não era limão!).
Agora, por fim – esse fim que pode ser incontáveis começos ou meios –, um desses tantos alguéns (que surgem de repente pra chacoalhar nossa existência) tenta me convencer, entre seus abismos de silêncios, que na verdade “detesta o silêncio”. E eu fico aqui, depois que as palavras ensaiadas todas fugiram, sem saber exatamente o que responder.
Acho que nesse presente que me dei de presente gostaria de me alimentar apenas de levezas. Essa história de nós dois, tão breve sequer pra ter nome, talvez esteja começando a pesar um pouco...
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" Você está bem onde está, eu estou bem onde estou. Mas, como aconteceu naquele dia na praia, em que eu passei indo com meu novo amor e cruzei você vindo com seu novo amor, não tem como a gente não olhar para trás."
Como disse pra minha Minha enquanto buscava pelo msn uma pessoa qualquer pra dividir esse "não sei bem o quê": - É só que isso me tocou fundo e eu precisava mostrar pra alguém.
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π
Vocês me largam solta no mundo, assim, cheia de lápis de cor pelos bolsos... depois não venham reclamar se o dia amanhecer todo rabiscado!
Segredo só nosso: descobri um punhado de cores novas que preciso mostrar pra vocês.
(ao "meu pi")
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E então, tudo continuava ali, prestes a dar muito errado, a falir, a cair no chão e fazer meu próprio buraco. Tudo estava ali. Todo o meu potencial gigantesco pra fazer da minha vida um inferno imenso. E eu assumi meu peso, eu assumi meu medos, eu assumi toda a merda. E assim, voei ainda mais alto, como se flutuasse. Eu peguei pra mim tudo o que soltava por aí e, surpreendentemente, fiquei mais leve.
(incrível mas tem, sim, gente que sente como a gente)
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A vida vem acontecendo num ritmo delicioso, cheia de novos aprendizados, pessoas interessantes e alguns acontecimentos mágicos, daqueles que fazem a gente respirar rasteiro e sentir o coração pulsar na garganta.
felicidade
pelos novos amigos,
novos horizontes,
novas possibilidades,
e pelo novo desfecho de uma história triste na qual tropecei alguns meses atrás, que há pouco me encontrou novamente e revirou pelo avesso, soprando pra bem longe minha desesperança na humanidade.
felicidade
principalmente pelo abraço verdadeiro do menino sem sapatos que me puxou pela mão, me sentou na calçada e exibiu com orgulho os pés que a vida não conseguiu lhe tomar.
(fiquei sem ar tentando entender como os olhos daquele pequeno podiam brilhar daquela forma, vivendo num mundo cercado por tantos “nãos”).
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