| |
|
| |
|
 |
descobrindo o natal entre irmãos:
- O que é isso?
- Pa-ne-to-ne.
- É pra quê?
- Pra comer.
- E tem que gosto ?
- De Natal, ué!
(pausa)
- Que nem Papai Noel?
- Claro que não... Papai Noel é bem melhor!
[ alguém vai discordar? ]
|
 |
 |
Chova ou faça sol, o Rio de Janeiro sempre me lava a alma...
|
 |
 |
Nossa história com cheirinho de banho tomado virou bola de sabão, ganhou o céu e estourou de repente, sufocada por tanto azul.
|
 |
 |
pouco te conheço...
Mas os entre-sorrisos, entre-linhas e entre-acontecimentos desse algo que nunca foi, mas parece povoar um imaginário entre nós, me deixou um tanto a vontade pra falar pra você sobre coisas que sinto forte demais e não encontro exatamente a quem recorrer.
(desculpa pelo susto... é que algumas madrugadas teimam em revolver minhas idéias mais tímidas e eu acabo por escancarar certas portas entre-fechadas)
|
 |
 |
Para que você me entenda
Para que você me entenda talvez não seja preciso muito, mas uns poemas-chave até que seriam de grande valia. Cecília, Quintana, Clarice, Pessoa e Kundera, por exemplo, podem ajudar.
Já de cara, aqui vai um conselho: na dúvida sobre como lidar com minhas esquisitices, pede a opinião do meu irmão - ele sabe como ninguém o que me irrita e o que me faz feliz e vai saber traduzir pra você minhas mais loucas reações.
Se for pra me agradar, já vou adiantando que não se ocupe de grandes gestos. Uma frase bem posta ao pé do ouvido é mais que suficiente pra eu nunca mais te esquecer.
Pra me entender de verdade, sugiro que observe com cuidado o silêncio do meu pai. Vê como a gente se comunica de entrelinhas e se nutre de um amor silencioso, por não haver mesmo palavras que o traduzam. Entende assim, de uma vez por todas, que por mais que eu ame as palavras, elas nunca vão substituir o beijo despretensioso ou o cuidado com o cobertor no meio da madrugada. Sim, pequenos gestos são imprescindíveis.
Ah... Presta também uma atenção redobrada à minha mãe. É que vem dela o sorriso que você normalmente vê estampado em meu rosto. É dela também o brilho nos olhos e toda a emoção que me toma sempre que o mundo me toca a alma. Veio dela essa minha mania de falar, falar, falar e fazer certa questão de que você ao menos finja me ouvir.
Não deixa também de olhar com cuidado a minha irmã; mas olha de perto, pra não deixar escapar as coisas que ela provavelmente vai tentar esconder de você (e do resto do mundo). É que pra ela não é fácil deixar-se assistir, mas só assim você será capaz de entender a dimensão do meu lado que sonha.
No fim das contas, pra saber quem eu sou de verdade, seria interessante espiar um pouco os meus ex-namorados. Com o primeiro você vai entender minha adolescência, meu humor, meu desembaraço inusitado em certas situações e um punhado dos trejeitos que carrego. Com o segundo você talvez entenda a minha calma, minha crença absoluta no futuro, minha sede de liberdade e como a palavra responsabilidade passou a ter tanto significado pra mim. Com o terceiro, você vai descobrir que eu também sou feita de impulsos.
Mas se quiser me revirar pelo avesso e encarar mesmo de frente toda matéria de que sou feita, me faz um favor: pára por aqui, me encontra no bar da esquina, puxa uma cadeira e senta entre os meus verdadeiros amigos pra uma prosa despretensiosa, dessas que sempre acabam por revelar muito além das mais rebuscadas definições.
|
 |
 |
Passou rápido.
De repente esse algo sem nome - que parecia ainda começar a ser construído - se desfez como se não passasse de um rascunho.
Foi-se rápido, num piscar de olhos, mas o seria ainda mais não fosse o dia em que você se levantou, plena madrugada, e me pediu licença pra buscar numa crônica de Rubem Alves palavras que talvez lhe faltassem.
Passaria realmente mais rápido, não houvesse outra noite levantado em meio àquele silêncio só seu, catando um disco antigo entre suas cantigas de capoeira e voltado pra me abraçar forte a ouvir Vinícius na voz de Tim Maia. Naquele instante você roubou meu fôlego, a lágrima de uma alegria até então desconhecida e invadiu de vez o baú de minhas mais doces lembranças.
(hoje, particularmente, acordei de saco cheio de emoções vazias)
|
 |
 |
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
(Belo, belo - Manuel Bandeira)
|
 |
 |
Incrível que esses velhos calos não machuquem mais.
Já faz certo tempo que desatei os cadarços e resolvi seguir a pés descalços. Desde então - pequenos machucados e espinhos à parte - aprendi a cicatrizar mais rápido, ser um tanto mais livre e sentir na pele todo esse mundo que existe sob os meus passos.
|
 |
 |
tem tempos em que o quase me persegue.
e então eu quase sinto, quase me permito, quase amo, quase tenho.
depois vem esse vazio estranho, de sentimento que nem chegou a ser mas quase dói.
|
 |
|
|
|