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Vitrine de mim




quando as turbulências acalmam e o mundo se abranda, tão absurdamente em paz que parece em suspenso, me dá vontade de sacudir tudo novamente, levantar uma poeirinha qualquer ou futucar de leve alguma ferida, só pra não morrer de tédio.

( eu e essa mania de querer VIVER sempre em maiúsculo ... )







Era um ano com feições estranhas. Começou torto, cheio de entraves e dores, dessas que ninguém sabe bem o remédio certo. Começou com um céu acinzentado e um arco-íris a sorrir de ponta cabeça da vida que eu também insistia em manter revirada pelo avesso.

Foi um início com descobertas desconfortáveis, diferenças que gritavam ensurdecedoras e então, de repente, se calavam e tornavam-se ainda mais incômodas. Ano que começou no chão, rasteiro, de pés descalços e com a alma cheia de urgências.

Mas era só o início. Chegou então um tempo inesperado, anunciando que era hora de estilhaçar de vez a existência, me desfazer dos velhos moldes, abandonar pelo caminho objetos pontiagudos que eu insistia em carregar no bolso e me enxergar matéria bruta, pronta pra me transformar num algo com cores inusitadas e formas não planejadas. Fui então me desenhando com outros contornos, a imaginação ganhou fôlego e exclamações voltaram a brotar sem que fosse mais necessário fazer esforço.

2008 afinal de contas correu bem melhor do que prometia à primeira vista. Foi o ano em que aprendi a me poupar do indiferente e guardar fôlego para as fatias realmente sinceras de alegria. Ano de ponderar o sim e o não com o peso que merecem, sem deixar de, vez por outra, dar umas tacadas sem rumo para ver se descobria um horizonte desconhecido. Assim acertei, quase por acaso, esse 2009 sedento por acontecer.

Ao que tudo indica: bela jogada...



Fotos: Victor Uchôa



One Art
(by Elizabeth Bishop)

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.








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