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E então um dia eu acordei. Por acaso era de manhã e o meu pai estava sentado à beira da cama olhando pra mim. Não menos por acaso, era meu aniversário. Despertei, fitei seus olhos e instantaneamente entendi o que aquele silêncio – mais um dos densos silêncios do meu pai – insistia em me dizer.
Era algo como: “Filha, o tempo realmente passa”.
Acho que acordar com um olhar destes no meu vigésimo sexto aniversário me antecipou a crise dos 30 e ainda hoje, quase um ano depois, tento digerir aquele silêncio espremido por tantas entrelinhas.
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“É preciso ter caos dentro de si mesmo para dar à luz uma estrela dançante”.
(Espero que esse tal de Nietzche saiba do que estava falando!)
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