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Vitrine de mim




Ele tocou minha mão com um carinho desconhecido até para nós , que tanto e por tanto tempo nos conhecíamos. No início deu vontade de fugir, frente àquela possível armadilha criada por um sentimento que não se tem mais onde encaixar. Era uma tristeza bem resolvida, cheia de cumplicidade e silêncios - daqueles que existem por tudo já ter sido realmente dito.

Ele tocou minha mão com cuidado, encostou a cabeça em meu ombro cheio de respeito, e eu chorei. Ele não pediu explicações: enxugou a minha lágrima, me beijou a bochecha e deitou novamente a cabeça com tranquilidade em meu ombro esquerdo. Foi então que o aperto no peito e aquele vazio doce-amargo, de história bonita que chega a um fim sincero, foram se diluindo por entre as nuvens que a gente (literalmente) atravessava.

Surgiu uma paz até então também desconhecida, e um consentimento mútuo - selado sem palavras -, de que tudo o que se desejava daquele momento era permanecer juntos, suspensos no ar e alheios a qualquer passado, presente ou futuro. Tudo o que se precisava de verdade era existir, lado a lado, sem rótulos nem complicações. Não éramos ali homem e mulher, muito menos ex namorados. Naquele momento, éramos apenas pessoas, que se querem bem e sentem saudades sem pretensões.

1 hora depois pousamos. As mãos, que não tinham mais por que continuarem juntas, se despediram já sem tristeza, seguindo com naturalidade os caminhos que cada qual escolheu para si.












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