| |
|
| |
|
 |
Eu preciso ser adulta sem achar que tô matando o principal. Entende?
(Tati Bernardi)
|
 |
 |
[ revisitando sensações ]
Deu vontade (não por acaso) de falar de algo que me incomoda; uma coisa com a qual nunca soube lidar, nem sei enfrentar. É bobo. É infantil. É imaturo... Mas é sincero. A verdade é que me sinto perdida frente àquelas "pessoas que a gente conhecia tanto e que de repente não conhecemos mais". Uma sensação de impotência contra o tempo, contra o rumo que a minha vida vez por outra teima em seguir.
Quando me deparo com uma situação assim e dou de cara com algo ou alguém que já foi tanto e sem motivos, de um momento para outro, simplesmente deixou de ser, sinto que tudo ao meu redor é frágil demais. E os amigos, os lugares, as vontades e sentimentos... tudo isso pode, num piscar de olhos, perder essa importância toda que tem hoje para mim (ou que tenho para eles).
Me dá vontade de agarrar pelo braço cada amigo, cada irmão, cada momento que amo e arranjar uma forma de acorrentar tudo isso à minha vida, pra que nada consiga escapar ou se perder nesse caminho que tenho pela frente. Medo, medo, medo. No fundo (num lugar que nem eu tenho coragem de alcançar) talvez este medo explique uma porção de questões que pairam sobre a maioria das minhas (in)decisões.
Algumas vezes reticências providenciais camuflam o pavor que sinto de histórias que acabam. Outras vezes, nem isso resolve o problema.
|
 |
 |
Sou feita de esperanças.
Desde o dia em que nasci tenho mania de acreditar. E assim vivo, até hoje, na constante expectativa de que num porvir qualquer ainda verei nascer o dia que vai justificar tudo.
|
 |
 |
A menina sorria, apesar de qualquer coisa.
Sorria sorrateira, com a propriedade de criança que sabe algo que os outros jamais saberão. A sabedoria da menina se traduzia em sorrisos e por isto desconfio que ela conhecia o mais importante de todos os segredos.
Talvez por isto eu carregue a impressão de que com a menina se esconde o segredo do mundo. E ao mundo, por esta sabedoria, a pequena retribui simplesmente em sorrisos.
(justo pagamento...)
|
 |
 |
Hoje eu senti que lhe devo algumas desculpas.
Desculpa por tanto silêncio, tanto receio, tantos pés atrás. Desculpa essa minha insistência em criar muros para me proteger de você, como se a sua presença fosse sempre algum perigo. Desculpa o meu medo, a minha insegurança e essa falta de tato para lidar com novidades. Desculpa principalmente pelas portas que eu ainda insisto em trancar, mesmo sabendo o quanto a sua visita me é bem vinda.
(eu e essa mania sem nexo de sabotar possibilidades...)
|
 |
 |
Me pergunto, como Neruda: É verdade que a esperança deve regar-se com o orvalho?
|
 |
 |
Sentada na antessala do hospital, tentando despistar as preocupacões lendo um livro sobre a vida de Simón Bolívar. Era tudo sério demais, inclusive o passatempo que eu distraidamente havia escolhido.
Um menininho sentado a meu lado, do alto de seus dois anos, me observava quase sem piscar. Estava quieto, curioso, e parecia ter me eleito seu próprio passatempo.
A mãe dele saiu antes da minha da sala de exames, pegou sua mão e seguiu em direção à porta. Foi quando ele me lançou um último olhar, sorriu alegremente e disse: - "Qualquer dia desses venho aqui de novo, viu?" Ao que a mãe retrucou, sem pensar duas vezes: - "Vira essa boca pra lá, menino!"
O pequeno, coitado, saiu todo cabisbaixo sem entender o que havia feito de errado. Me restou dar risada e concordar com a zelosa mãe ...
|
 |
 |
Nem me dei ao trabalho de pintar:
O meu 7 já nasceu colorido!
|
 |
|
|
|