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... prefiro acreditar que mesmo a falta de propósitos tem sua dose de dignidade.
(eu, meus botões e sua angústia)
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não, não precisa tanto.
a minha felicidade é mesmo rasteira, toda feita de coisas leves e coloridas...
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É, admito: tá tudo bem confuso mesmo. E eu detesto sentir isso toda vez que você me olha com ar de “E aí, que vai ser da vida?”. Mas o que detesto ainda mais é notar que você tem toda razão em me perguntar isso, e o faz até com menos freqüência do que gostaria (desconfio que você saiba o quanto essa pergunta me angustia).
Lembra aquela frase que pesquei no texto da autora que disseca a gente? Dizia assim: “Eu preciso ser adulta sem achar que tô matando o principal. Entende?” Pois é um pouco disso, mesmo: “Entende?” Entende como é difícil para mim preterir todas as outras direções e escolher um só caminho? Entende como tudo o que poderia ser vai sumindo no rastro dos passos que dou para me tornar um algo qualquer?
E mesmo quando tudo que eu desejo é permanecer imóvel contemplando a infinidade de coisas que ainda podem vir a ser, o tempo se encarrega de puxar o meu tapete e jogar fora, de tempos em tempos, um punhado de sonhos que considera já vencidos.
E eu sou toda feita de sonhos, mãe. Entende o meu medo?
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Como previsto, ele não me ligou. E foi triste.
Triste de uma forma inusitada: é que ele não ligou e eu nem liguei.
E por mais esquisito que isso pareça eu preferia, sim, me incomodar de verdade com o fato dele não ter me ligado, mesmo que isso me fizesse sofrer um pouquinho. De uma forma torta, talvez isto provasse que em algum momento ele significou algo.
(é que enganar a mim mesma me faz ainda mais mal que me sentir enganada por outro - e é isso que sinto quando me convenço a viver histórias sem sentido).
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